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| EDIÇÃO 67 - MAR 2010 - Katia Siqueira |
| A importância da reforma de pneus no nosso cotidiano |
Há quem faça restrição ao uso do pneu recapado sem antes considerar a importância que ele representa em todos os momentos do nosso dia-a-dia.
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| Se observarmos, muito do nosso cotidiano só é possível graças ao uso de veículos que se utilizam de pneus novos e reformados. Tirando os 26% da carga que é transportada pelo sistema ferroviário (minério, grãos, contêineres e um pequeno volume de carga geral), praticamente todo o restante, mais de 63%, é distribuído através de caminhões e posteriormente por outras modalidades, como o motofrete, ônibus, aviões, taxi e outros.
Caso o transporte de tudo que consumimos fosse feito por trem, alguém teria que fazer o transbordo para pequenos caminhões e assim entregar nos hipermercados, drogarias, restaurantes, bares, pequenos estabelecimentos e isso, consequentemente, faria aumentar ainda mais o preço dos produtos que consumimos.
O motorista autônomo, Rafael de Oliveira, de Paranaguá (PR), diz que 90% das cargas que transporta são mercadorias importadas em contêineres, que vão para grandes centros, como São Paulo e interior, região do Grande ABCD, Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS) e outros Estados.
Segundo ele, nesses contêineres transporta-se de tudo, desde peças para indústria automotiva, produtos alimentícios, beleza, higiene e limpeza, vestuário, eletrônicos, peças para fabricação de móveis, máquinas para todo tipo de indústria, e inúmeros outros.
“No momento, por exemplo, estou levando um contêiner carregado de componentes para fabricação de produtos eletrodomésticos. A entrega será feita em Campo Largo (região metropolitana de Curitiba). Agora me responda uma coisa, isso tudo teria como chegar tão rápido se não fosse o pneu?”, pergunta Oliveira.
Segundo alguns especialistas, as pessoas não avaliam o quanto dependem dos veículos pneumáticos no seu dia-a-dia, seja via caminhão, motofrete, ônibus e outros meios que são utilizados para que não falte nada na gôndola do supermercado, das farmácias, etc. E o que é mais importante: todos os modais (com exceção dos trens e navios) utilizam pneus novos ou reformados.
De acordo com o motorista autônomo, enquanto a população dorme, centenas de milhares de caminhões abastecem os estabelecimentos comerciais para que no dia seguinte, logo pela manhã, a mercadoria esteja à disposição dos consumidores.
“Lembre-se que o alimento que comemos hoje, a roupa de cama que vai nos acolher em nosso sono, a roupa que usamos, o medicamento que nos curou, entre muitos outros produtos, chegaram até o local de comercialização graças ao transporte rodoviário, seja através de grandes carretas e depois através de VUCs (Veículos Urbanos de Carga), que podem trafegar dentro do centro urbano”, reforça Oliveira.
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| Econômico e seguro |
| Neuto Gonçalves dos Reis, coordenador técnico da NTC&Logística, acredita que o crescimento do mercado de pneus reformados tem muito a ver com a economia que ele representa. Ele calcula que cada pneu novo custa cerca de R$ 1.300,00 e pode ser reformado por R$ 350,00 “obtendo-se, com isso, uma nova vida que é muito próxima à original. O reaproveitamento da carcaça, por meio de recapagem ou recauchutagem, constitui uma forma de reduzir custos para qualquer categoria de transporte”, diz.
Rogério dos Santos Cadengue, presidente do Sedersp (Sindicato das Empresas de Distribuição das Entregas Rápidas do Estado de São Paulo) – entidade que reúne cerca de 6 mil empresas, que responde pelo emprego de motofretistas e mototáxis – diz que os profissionais da área transportam todo o tipo de mercadorias. “Eles levam desde um pequeno frasco de perfume, documentos, flores até uma peça de carro. A encomenda só não pode passar de 25 quilos”, explica.
Na motocicleta o pneu é extremamente importante. Tem muitas funções, porque além de suportar a carga e garantir a tração, deve ser seguro quanto à aderência, frenagem e amortecimento, pois é o único contato do veículo com o solo.
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| Motos são mais ágeis nas entregas |
| Segundo Cadengue, que também é proprietário da empresa Roger Moto Spress, que emprega 45 pessoas, as empresas da área têm muita preocupação com a segurança dos seus profissionais e principalmente com a qualidade dos seus serviços. “Nós só contratamos motofretista que seja habilitado há mais de dois anos, tenha mais de 21 anos e a moto não pode ter mais de cinco anos de fabricação”.
O entregador de pizza, Marcos da Silva Barros, proprietário de uma motocicleta Yamaha, ano 2006, trabalha há cerca de cinco anos nessa profissão. “Hoje faço entregas na região de Pinheiros, enfrentando noites quentes, frias e chuvosas. Costumo comprar pneus reformados porque são mais baratos e tão seguros quanto se fossem novos”, garante.
Cadengue diz que os clientes, quando têm pressa, utilizam os serviços de motofrete porque são mais rápidos. “Nossos profissionais fazem entrega em São Paulo e municípios vizinhos, como Campinas, Sorocaba, Tatuí, Santos, Peruíbe, etc.”, finaliza.
A participação dos pneus, sejam novos ou recapados, não se limita ao abastecimento dos estabelecimentos comerciais. Os veículos pneumáticos são os responsáveis pela locomoção da população urbana, rural e aérea, rumo aos compromissos de trabalho ou lazer.
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| Pneu reformado no solo e no ar |
| Conforme dados da TRIB (Tire Retread Information Bureau) 100% das aeronaves utilizam pneus reformados, sendo que 80% dos pneus em uso são reformados. Por exemplo, para os Boeings 727, foram reformados 28 mil pneus, com uma média de 200 aterrisagens e decolagens por vida e uma média de seis reformas por pneu. Os aviões militares dos EUA utilizam pneus reformados, inclusive o C5A, transportador aéreo muito pesado, que tem 28 pneus e pode decolar com um peso máximo de até 400 mil quilos.
Para Neuto Gonçalves dos Reis, coordenador técnico da NTC&Logística, “o importante é ter sempre em mente que os pneus, novos ou reformados, devem receber a mesma atenção. O reaproveitamento da carcaça, por meio de recapagem ou recauchutagem, constitui uma forma de reduzir custos para qualquer categoria de transporte”, completa.
“Nos últimos anos, o nível técnico dos processos de recapagens evoluiu muito, o que nos permite afirmar que além das vantagens sobre os custos e as qualidades apresentadas, teremos cada vez mais opções pela modalidade (recapagem de pneus)”, afirma Ricardo Melchiori, diretor de operações da Ceva Logistics.
Uma das maiores empresas de logística do mundo, a Ceva mantém, no Brasil, uma frota composta por 1.000 veículos (cavalos mecânicos, caminhões, vans e utilitários) e equipamentos (semi-reboques, baús, sider e porta contêiner). “Nossa empresa tem um compromisso com o meio ambiente, “por isso estamos atentos para este tipo de serviço, pois estamos aliando nossos objetivos a fornecedores capacitados e homologados, principalmente para o caso de descarte de pneus sem condições de uso. Este é um item importante no nosso programa de sustentabilidade”, finaliza. |
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