 |
 |
|
 |

|
ARQUIVO |
 |
| EDIÇÃO 65 - AGO 2009 - Katia Siqueira |
| Pneu: reforma reduz custo aumentando sua vida útil |
Transportadoras de cargas rodoviárias e motoristas autônomos fazem várias reformas nos pneus sem que os mesmos sofram perda da qualidade.
|
Considerado o terceiro maior custo variável de um veículo utilizado no transporte rodoviário de cargas, o pneu representa cerca de 12% dos gastos de um profissional autônomo ou frotistas quando se coloca na ponta do lápis todos os gastos que uma viagem representa. O pneu perde apenas para os valores gastos com manutenção (14,5%) e combustíveis que consomem 70% da planilha de custo da modalidade.
Diante disso, o reaproveitamento da carcaça por uma, duas, três e – em alguns casos – até quatro vezes é de extrema importância para os empresários do setor e, principalmente, para os motoristas autônomos, que sempre trabalham com fretes apertados e sem sobras.
“Uma carga de volta de São Paulo ao Paraná (700 quilômetros) tem um frete que varia de R$ 700,00 a R$ 800,00 dependendo da mercadoria. Se perdemos um pneu, nossa viagem está zerada”, explica o motorista autônomo, Paulo Sérgio Favaro, que dirige um Mercedes-Benz, 1620 baú, ano 2007.
Segundo ele, os motoristas autônomos só trabalham com pneus novos quando tiram o caminhão zerinho de fábrica. “Quando fechei a compra do meu bruto exigi pneu de marca de alto rendimento, é o mais caro e tem a melhor carcaça na minha concepção. Depois que sai da loja só uso pneu reformado. Se a carcaça é boa e a reformadora é de confiança não tem problema. Tem algumas reformas que duram mais do que um pneu de primeira vida”.
Aos 42 anos de idade e 18 de profissão, o autônomo - naturalde Maringá (PR) -, diz que o segredo para se trabalhar na estrada sem perigo de perder a banda é carregar leve e fazer a reforma ou comprar pneu recapado somente de empresas de confiança e que dê garantia pelo produto. “A procedência do fornecedor é muito importante. Gasto R$ 320,00 pela reforma e rodo no mínimo 90 mil km ou cinco anos”, garante Favaro.
O motorista está viajando há mais de uma semana. Pegou uma carga em Maringá para entregar em Salvador (BA), distante 2.400 quilômetros e recebeu pelo frete R$ 7.200,00. Depois aceitou carga de retorno até São Paulo, 1.800 quilômetros por R$ 2.100,00. “Se tudo corre bem até que vale a pena e dá para garantir o sustento da família. Nós motoristas somos explorados nas cargas de retorno”, diz.
|
| Pressão no bolso e no pneu |
Segundo especialistas da área, uma outra forma de conseguir maior quilometragem dos pneus (sejam novos ou reformados) é mantê-los calibrados com a pressão adequada.
De acordo com Neuto Gonçalves dos Reis, coordenador técnico da NTC&Logística, o reaproveitamento da carcaça, por meio de recapagem ou recauchutagem, constitui uma forma de reduzir custos para qualquer categoria, seja grande frotistas ou profissional autônomo.
Ele conta que as vantagens na utilização dos pneus reformados ou recapados são mais sentidas nas frotas pesadas, compostas de cavalos que tracionam carretas, bitrens e rodotrens, “onde o pneu é o terceiro maior custo variável chegando a representar 12% do custo variável, que perde somente para o combustível (70%) e para a manutenção (14,5%). Os demais custos variáveis são representados pela lavagem e lubrificação (óleos, de cárter, câmbio e diferencial) do veículo.
Reis calcula que cada pneu novo custa cerca de R$ 1.300, 00 e pode ser reformado por cerca de R$ 350,00, obtendo-se, com isso, uma nova vida que é muito próxima à original. “Por exemplo, se o pneu novo dura 120 mil km, um recuperado pode durar, no mínimo, 100 mil km. Isto reduz sensivelmente o custo do pneu por quilômetro rodado”, complementa.
Portanto, do ponto de vista de redução de custos, quanto mais reformas se obtiver da mesma carcaça, melhor. Hoje, em média, as transportadoras conseguem reformar a carcaça pelo menos duas vezes. Naturalmente, devido às más condições das estradas e ruas, há aquelas que não dão uma única recapagem e outras que dão três ou quatro. “Pneus de avião, por exemplo, são recuperados por um número de vezes muito maior do que os de caminhões”, garante o coordenador técnico da NTC.
|
| O fornecedor deve ser certificado |
Segundo Reis, é preciso escolher fornecedores confiáveis, que atendam às normas do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial), para que esta economia não afete a segurança. Pneus mal recuperados ou com banda de rodagem mal colada podem provocar graves acidentes e acabam durando muito menos do que se espera.
É preciso também cuidar bem dos pneus (alinhamento, balanceamento, controle de pressão, emparelhamento e evitar sobrecargas) para que as carcaças se mantenham em boas condições. Por exemplo, pequenos cortes não tratados a tempo abrem caminho para sérios problemas capazes de impossibilitar a recuperação da carcaça: desagregação na zona do flanco, avarias no talão, cortes extensos, deslocamentos das lonas em relação à banda de rodagem, desgaste excessivo da banda. Uma medida de segurança consiste em evitar o uso de pneus recuperados nos eixos dianteiros e de tração.
Os pneus ou reformados devem receber a mesma atenção dos novos, pois se trata de uma extensão/continuidade da primeira vida. Porém, com um agravante, a estrutura já iniciou seu processo de fadiga natural pelo uso, sem contar a boa procedência das carcaças e a marca com qualidade das recapagens, fatos que também devem ser considerados.
Reis não soube especificar quantas associadas da NTC&Logística utilizam pneus reformados por não possuir estatística a respeito. “Pela nossa experiência, acreditamos que praticamente a totalidade das transportadoras usa pneus reformados pelos motivos já citados”, diz.
Severino Nascimento de Almeida, profissional do volante com 44 anos e 22 de estrada, dirige um Mercedes-Benz 1218, ano 1994 baú. No seu dia-a-dia carrega todos os tipos de carga. Natural de Pernambuco, o autônomo diz que chega a fazer até quatro reformas. “Se trafegamos com o caminhão leve e em estradas de boa qualidade, a banda dura bastante, mas se puxamos com muito peso por rodovias ruins aí a reforma não passa de 12 meses”, assegura.
Segundo Almeida, a qualidade da carcaça e da recapadora também ditam a vida útil da banda. “Um pneu novo – dependendo da marca e modelo – custa em média R$ 1.150,00 e a reforma cerca de R$ 350,00. Em alguns casos, a recapagem dura mais do que um novo. Eu faço muito a rota de São Paulo – Nordeste (região de clima quente que altera a temperatura dos pneus e sua durabilidade). Só ando leve e mesmo assim, a banda solta vez ou outra. É justamente por isso que devemos trabalhar com reformadora confiável e que dê garantia pelo serviço”, orienta.
Almeida diz que um pneu novo leva cerca de 18 meses para alisar. Um recapado sem câmara dura dois anos e com câmara 20 meses (um ano e oito meses). “Nós que trabalhamos na estrada sentimos a falta de empresas reformadoras (que representem as grandes marcas) próximas às rodovias por onde passamos”, reclama.
Leonildo Timóteo de Andrade tem 46 anos e 13 anos de profissão. Ele pilota um Mercedes-Benz 1418, ano 90 com o qual transporta cargas frágeis como produtos hospitalares, farmacêuticos, eletrônicos, etc. “Quando vou comprar os pneus não vejo a marca, mas o preço. Nós que trabalhamos com carga ganhamos pouco e não podemos nos dar o luxo de buscar o melhor produto do mercado. Sabemos quais pneus são os mais adequados para o trabalho e sua durabilidade, mas nossa realidade financeira dita as regras”, explica.
Os motoristas entrevistados pela reportagem da Revista Pnews, no Terminal de Cargas Fernão Dias disseram que preferem a reforma a frio, mesmo pagando mais caro porque consideram o reparo mais resistente aos trabalhos rodoviários. A reforma a quente, no entender dos profissionais do volante seria mais indicada para pneus que equipam caminhões urbanos. Os pneus reformados para aqueles que fazem o Nordeste, por exemplo, duram até dois anos dependendo das condições da estrada e da recapadora.
Dependendo da carcaça a reforma pode ser feita até quatro vezes, mas há caso de pneu que não aguenta uma única repacagem. “Pista quente dilata mais rápido. Se viajamos para o Sul, o pneu dura mais”, dizem os autônomos.
“Os pneus originais de alta performance são muito bons, os do meu caminhão já rodaram 192 mil km e estão inteiros, mas só faço estrada. Se trafegar pela cidade e acontecer de pegar um buraco ou uma guia, o pneu pode deslocar e criar veia, que compromete a carcaça”, alerta Favaro.
|
| Transportadoras chegam a fazer até quatro reformas |
A CEVA Logistics - uma das maiores empresas de logística do mundo – acaba de iniciar uma grande operação na Argentina. O contrato prevê a prestação de serviços de transporte inbound para a General Motors na planta da cidade de Rosário, província de Santa Fé. A operação inclui o transporte de peças automotivas de 37 fornecedores argentinos e uruguaios, no modelo milk-run, até a fábrica da montadora, e a descarga dos caminhões envolvidos no processo. Uma operação de mais de 200 mil quilômetros percorridos por mês.
No Brasil, a frota da empresa é composta de 1.000 veículos próprios (7,5%) e dedicados (empresas terceirizadas que trabalham exclusivamente para a CEVA detém 92,5%). São modelos utilitários (cavalos mecânicos, caminhões, vans e utilitários) e equipamentos (semirreboques baús, sider e porta contêiner).
Segundo Ricardo Melchiori, diretor de operações da CEVA, a idade média dos veículos da frota própria gira em torno de 5 anos a dos terceirizados em 9 anos. “Mantemos uma política de renovação para a nossa frota própria seguindo duas linhas: uma da depreciação contábil, que consideramos 5 anos, e a outra referente ao desgaste do equipamento com base na sua atividade do dia a dia. Dependendo das condições destes veículos aplicamos o processo de renovação, vendendo-os e adquirindo novos”, explica.
De acordo com o executivo, para a frota terceirizada, a CEVA possui uma política específica por tipo de operação. “Avaliamos o esforço que o equipamento é submetido, seu desempenho no mês (taxa de operação) e o estado de conservação”.
A idade limite de utilização dos equipamentos de frota própria varia de 5 anos a 12 anos, sendo que a média atual é de 9 anos. Na renovação ou ampliação da frota a empresa adota os seguintes critérios: as necessidades dos nossos clientes; às dimensões desejadas do equipamento; divulgação de uma determinada marca; desempenho do equipamento; novas tecnologias existentes no mercado e análises técnicas de marcas e modelos disponíveis no mercado.
“Os critérios são rigorosos porque nossos veículos rodam muito e precisamos garantir a entrega das mercadorias. Toda a nossa frota trafega cerca de 6,5 milhões de quilômetros por mês, considerando as rotas no Brasil e as internacionais no Mercosul , principalmente na Argentina”, explica Melchiori.
A CEVA transporta diversos tipos de mercadoria, de um celular a uma máquina agrícola de grande porte, atendendo clientes que atuam nos segmentos automotivo, tecnologia, bancos, bens de consumo e varejo, energia, indústria e pneus.
|
| Atividade do veículo define compra de pneus novos ou reformados |
De acordo com Melchiori, às compras de pneus para a frota própria ocorre de maneira preventiva, que indica a necessidade da troca ou de recapagem. “Mantemos uma quantidade mínima em estoque apenas para uma reposição rápida e emergencial”, explica.
Para a frota terceirizada dedicada, a CEVA está finalizando um projeto que visa à criação de um Clube de Compras para aquisição de pneus e outros produtos e serviços inerentes ao dia a dia de uma frota – como, por exemplo, serviços de recapagens.
No momento da aquisição dos pneus, a companhia analisa para qual operação o veículo está sendo alocado, avalia o esforço que o equipamento é submetido e assim define se a compra será de produto novo ou reformado.
A política da CEVA é sempre que possível usar pneus reformados que foram realizados recapagens dos seus pneus adquiridos novos, pois neste caso ela conhece o histórico da origem e vida da carcaça o que numa compra de um pneu reformado no mercado já não se tem esta total segurança. “Dentro das condições para recapagem, executamos mais duas recapagens, atingindo assim o máximo da capacidade de cada pneu e respeitando a margem de segurança”, conta o executivo, segundo quem o custo dos pneus gira em torno de 10% a 12% para a empresa.
Melchiori aponta algumas vantagens dos pneus reformados: em primeiro lugar está a economia gerada (o custo de uma recapagem é de aproximadamente 30% do valor de um pneu novo), em segundo lugar estão os cuidados com o meio ambiente.
“Não há sombra de dúvidas de que um pneu novo nunca poderá ser comparado fisicamente a um pneu recapado, entretanto nos últimos anos o nível técnico dos processos de recapagens evoluiu muito, que nos permite afirmar que além das vantagens sobre os custos e as qualidades apresentadas, teremos cada vez mais opções por esta modalidade (recapagem de pneus). Além disso, existe o nosso compromisso com o meio ambiente, por isso estamos atentos para este tipo de serviço, pois estamos aliando nossos objetivos a fornecedores capacitados e homologados, principalmente para os casos de descartes de pneus sem condições de uso. Este é um item importante no nosso programa de sustentabilidade”, afirmou o diretor de operações da CEVA.
Com 950 equipamentos, incluindo veículos específicos para médias e grandes distâncias, bem como para distribuição urbana (carretas do tipo sider, abertas de grade baixa, VUCs, caminhões toco, cavalo mecânico, vans, furgões, utilitários, guinchos e motos), a Rápido 900 trabalha com uma frota com idade média de cinco anos. “Nós temos uma política de renovação anual. Relacionamos os veículos com 10 anos ou mais, outros cuja curva de manutenção tenha atingido seu limite e ainda aqueles que tenham sofrido acidente ou necessite de intervenção de reforma”, explica André Ferreira, diretor da empresa.
Segundo ele, no final do ano passado, a Rápido 900 investiu cerca de R$ 11,8 milhões na ampliação da frota e na aquisição de sistemas de rastreamento. Ao todo, foram comprados 78 novos equipamentos entre cavalos-mecânicos, carretas, trucks e VUCs.
Com atividades em todo o Brasil, a Rápido 900 opera em toda a Região Sudeste, Nordeste e nos Estados de Goiás, Distrito Federal, Tocantins e Rio Grande do Sul, atendendo o mercado de transporte rodoviário de carga e logística e, atualmente, trabalha para indústrias do segmento químico, de higiene e limpeza, alimentício e de autopeças.
As compras de pneus da companhia são preventivas e não corretivas. “Preferimos adquirir os pneus novos, os quais depois – dependendo das condições das carcaças – chegam a passar por duas a três reformas”, explica o diretor da empresa, pois os pneus costumam representar 11,27% do custo de transporte mensal da frota. |
|
| <•> Voltar para índice PNEWS 65 |
| <•> Voltar para Revistas anteriores |
| |
| |
|
 |
 |
 |

|
|
|
|
|