29

ARQUIVO 29
EDIÇÃO 65 - AGO 2009 - Katia Siqueira
Uso de pneu reformado gera grande economia em frota municipal
Conscientização da utilização do pneu reformado tem como objetivo mostrar a importância do produto tanto pelo lado econômico quanto e, principalmente, pela questão ambiental. Um pneu reformado economiza cerca de 57 litros de petróleo e a mãe natureza agradece.
Projeto de Lei do vereador e presidente da Comissão de Turismo e Meio Ambiente de Governador Valadares (MG), Lierte Júnior, que dispõe sobre a obrigatoriedade do uso de pneus reformados em 60% de toda frota de veículos da Prefeitura foi apresentado e aprovado em agosto por unanimidade na Câmara dos Vereadores. Em função de sua importância estaria previsto para entrar em vigor a partir de setembro. Quem demonstrou grande interesse nos benefícios econômicos e ambientais foi o secretário municipal de Desenvolvimento, Válter Luis Machado da Silva que prometeu dar prioridade no andamento à questão nos carros do município, comentou o diretor da Reformadora de Pneus Belo Vale, Iranelson Nunes Coelho.

“Estou em contato com os vereadores de Virginópolis (MG) para apresentar o projeto. Minas Gerais tem 853 municípios e nossa idéia é difundir ao máximo os benefícios que o uso de pneus reformados proporciona aos cofres públicos e ao meio ambiente”, complementa Coelho.

Segundo ele, Governador Valadares pode ser a primeira cidade do País a implantar a medida de reforma de pneus para a frota municipal, objetivando desonerar os cofres públicos, fazendo da cidade uma referência para todo o Brasil.
Ele conta que a Belo Vale e a Amirp (Associação Mineira dos Reformadores de Pneus) apresentaram, na primeira semana de agosto de 2009, sugestões de como o município poderia usufruir da reforma de pneus. Na ocasião, o diretor da empresa e o gerente técnico e institucional da entidade, Vanderlei F. Carvalho, discutiram com os vereadores e comunidade projetos ligados à reforma de pneus, destinação final de pneus e política ambiental.

No entender de Coelho, a difusão das vantagens de um pneu reformado em comparação ao novo transcende a expectativa de vir a ser uma das fornecedoras das prefeituras que venham implantar a Lei. “As compras do governo são feitas via concorrência pública e ganham aquelas que atenderem as exigências estabelecidas. Nosso intuito é conscientizar as prefeituras da importância de se reformar pneus porque além de economicamente correto é economicamente viável“.

 

Custo x Benefício
Considerando a parte econômica do projeto podemos caminhar pelo valor de um pneu novo verso um reformado. “Em média um produto reformado custa 1/3 de um novo, variando de região. No caso de pneus de passeio, a diferença gira em torno de 50%”, contabiliza Coelho.

A Prefeitura de Governador Valadares gasta cerca de R$ 172 mil na compra de pneus novos todos os anos. Uma vez estabelecida à obrigatoriedade dos 60%, o valor cairá para algo em torno de R$ 85 mil.

No primeiro semestre foram realizadas 668 licitações para compra de pneus novos e apenas 109 para pneus reformados. Se o projeto já estivesse em vigor, os municípios teriam economizado algo em torno de R$ 14 milhões. “Além do aspecto econômico temos que considerar os benefícios ambientais. Toda vez que renovamos as frotas com produtos novos estamos deixando de reciclar e ao fazer isso poluímos o meio ambiente. A reforma prolonga a vida útil do pneu, ao mesmo tempo evita a contaminação dos córregos, rios e faz com que os pneus tenham uma destinação ecologicamente correta”, acentua o diretor da Belo Vale.

 

Atividade Verde
A reforma de pneus é uma atividade verde e ecologicamente correta, pois prolonga a vida do pneu, com custo 75% mais barato para o consumidor. A reforma de um pneu utiliza em média 1/3 da quantidade de petróleo usada na fabricação de um novo. Ou seja, cada reforma representa uma economia de 57 litros de petróleo, isso para pneus de carga. O detalhe é que um pneu reformado tem o mesmo desempenho de um pneu novo de acordo com testes de laboratório. No ciclo de vida de um pneu, é relevante a importância dos fabricantes de artefatos de borracha, bandas de rodagem e reformadores.

Segundo especialistas e profissionais da área, algum problema de segurança em relação aos pneus, está diretamente relacionado à maneira correta de dirigir, à manutenção preventiva, à escolha correta da empresa que realizará o serviço de reforma e também à conservação de ruas e estradas. “Quando vemos uma banda solta na beira da rodovia não significa que ela saiu de um pneu reformado. Pode ter sido de um produto novo também”, assegura o executivo.

Pesquisas indicam que 47% dos problemas acarretados com veículos são decorrentes da má conservação dos pneus. O motorista acaba deixando para trocar o pneu quando está totalmente liso ou “careca”, podendo acarretar acidentes e danos diversos no veículo. A não retirada no momento certo do pneu também evita o reaproveitamento da carcaça para uma futura reforma.

Segundo Coelho, o pneu reformado também pode ser qualificado como uma ação social, “porque pessoas de baixa renda acabam optando pelo reformado por causa do custo, pois muitas vezes acabam não tendo condições de comprar um novo.” Algumas prefeituras chegam a economizar milhões de reais por ano com a reforma de pneus.

 

Pneu Verde
Todas reformadoras de pneus, para prestarem o serviço de reforma, são obrigadas a ter licença ambiental e está tramitando no Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial) documentação para que seja oficializada a portaria para a adequação do setor de pneus reformados da linha caminhão/ônibus. A Reformadora Belo Vale – que está completando 40 anos em 2009 – , possui as certificações. Em Governador Valadares, existem mais duas reformadoras de pneus, que atendem a cidade e toda a região leste.

Centenas de cidades no País optam pela reforma de pneus nos veículos oficiais do município através de licitações. A economia na escolha de um pneu reformado, tanto de caminhões, fora de estrada (tratores, mineração, pesados) e passeio, pode resultar na aplicação de recursos para diversas áreas, como em construção de casas populares, creches, hospitais etc.

Outro item da pauta da reunião realizada na Câmara dos Vereadores foi o “Programa TWI” (Tread Wear Indicator), regido pela portaria 558/80 do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), que determina que veículos automotores em território nacional não podem circular com pneus abaixo de 1,6 mm de profundidade no sulco do pneu. Foi pedido mais rigor na fiscalização de pneus. O fiscal de trânsito concentra suas ações em multas e esquece de conscientizar o motorista dos riscos para sua vida e o veículo por rodar com o pneu careca.

 

Pioneirismo
Após o projeto de lei sancionado, Governador Valadares poderá estar na vanguarda legislativa no Brasil.

Postura semelhante, de grande envergadura, foi adotada em 1993 nos Estados Unidos, pelo então presidente Bill Clinton, assinando um decreto determinando o uso de pneus reformados em todos os veículos do governo americano. Nos EUA, a aviação militar e todas companhias aéreas adotam pneus reformados.

Naquele ano, cerca de 80% dos pneus de todas as aeronaves em serviço foram reformados. Somente os Boeings 727, reformaram 28 mil pneus com média de 200 aterrissagens e decolagens por vida útil de cada nova banda de rodagem, atingindo uma média de seis reformas por pneu.

Esta prática ainda rende bilhões de dólares à economia americana e proteção ao meio ambiente, o que eles chamam de Green-retread.

Nos EUA, pneus reformados são utilizados diariamente e com segurança por ônibus escolares, caminhões do Corpo de Bombeiros, ambulâncias, táxis, serviços postais e por milhões de motoristas.

No Brasil, a grande maioria das transportadoras interestaduais e municipais de ônibus, frotistas, distribuidores e caminhoneiros são adeptos de pneus reformados.

 

A importância do setor
As empresas ligadas ao segmento têm uma grande participação na formação do nosso PIB (Produto Interno Bruto). Com mais de 60 anos de presença e tradição no País, o segmento de reforma de pneus é composto por cerca de 1.500 unidades reformadoras, sendo que num total de aproximadamente 5.000 empresas formam a cadeia em interface com as unidades recauchutadoras, que respondem por 160 mil empregos e faturam R$ 4 bilhões por ano.

 

<•> Voltar para índice PNEWS 65
<•> Voltar para Revistas anteriores
 
 

Associe-se