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EDIÇÃO 62 - JUL AGO SET 2008 - Antonio Carlos Fernandes
O segmento de reforma de pneus e a crise mundial
Os reformadores já passavam por situação delicada e preocupante entes dos primeiros sinais da crise financeira internacional e agora se sentem impulsionados a rever suas planilhas de custos e promover a mudança de gestão
A crise econômica mundial veio reforçar a urgência da mudança de atitude do segmento quanto a praticar um preço justo que permita a sustentabilidade das empresas. Os reformadores estão logicamente pessimistas com o quadro atual que os leva a um dilema: valorizar o serviço ou sucumbir diante da crise. A revista Pnews conversou com empresários de Estados importantes que expuseram suas incertezas. Paulo César Pereira Bitarães, presidente da Amirp, por exemplo, percebe como saídas a capacitação e valorização da categoria.   

“Como trabalhamos com commodities, somos afetados diretamente pela crise internacional”, avalia o presidente da ABR, Henrique Teixeira Pena. A reforma de pneus vem passando por momentos difíceis, o que se acentuou a partir do começo do ano.“O segmento já passa por dificuldades mais agudas desde maio e, com a crise, não há como se beneficiar em nada. Estou bastante cauteloso com o cenário atual”, diz ele.

Paulo César Pereira Bitarães, presidente da Amirp, segue o mesmo raciocínio de Henrique Teixeira Pena ao afirmar que a crise que afeta o segmento vem antes da crise internacional. “Nossa matéria-prima vem há tempos sofrendo contínuos aumentos. Nosso produto sempre está para cima”, analisa.

Bitarães acredita que o caminho para enfrentar a situação está no associativismo da categoria e em campanhas que mostrem os pontos positivos do segmento. “Não existem campanhas de valorização da reforma de pneus, por exemplo. Somos os maiores recicladores do planeta, e é preciso divulgação do que estamos fazendo”, observa o presidente da Amirp..

Ele avalia, no entanto, que esse trabalho pela imagem dos reformadores de pneus só é possível acontecer em médio prazo. E para superar a crise, segundo Bitarães, é preciso também um trabalho de capacitação das empresas de reforma para que haja valorização do segmento, como vem sinalizando a ABR, com a conseqüente regulamentação.

Octávio de Campos Bastos, presidente da Arperj, analisa o conjunto do segmento.“Para os pneus de motos e carros, a crise é até benéfica, porque você vai encontrar a qualidade do pneu reformado no Brasil, que já atingiu um nível ótimo, a um custo baixo”. Neste panorama, diz ele, já está fora o pneu importado, como o chinês, que encareceu pela alta do dólar.

Quanto aos pneus de carga, ele constata que “a concorrência está predatória” e ilustrada por dois aumentos neste ano, que fizeram a borracha subir quase 40%. “E o reformador é o primeiro a arcar com a subida de custo”, diz.

Se o primeiro aumento não foi absorvido, afirma, o segundo foi um desastre. “O impacto foi monstruoso, o que é agravado ainda pela falta de carcaças importadas”, verifica.
“Os próximos três meses serão bastante difíceis. É o que chamo de o trimestre da virada: quem passar fica”, resume Bastos. O presidente da Arperj não ameniza o seu entendimento do futuro: “O mundo vai para a recessão, e o Brasil também. É ingenuidade não ver isso. O que se mostrava favorável para o segmento, que era o aumento do dólar, foi anulado pelo aumento da borracha – é um aumento que tem que ser revisto”.

Antonio Cláudio Vieira, presidente do Sindborpr, é mais comedido na previsão para o futuro da economia. “Eu acho muito cedo para verificar como a crise internacional pode afetar o negócio de reforma de pneus. Ainda não dá para sentir”, julga, já que os aumentos da borracha foram anteriores. A questão dos produtos importados, segundo ele, vai melhorar com o aumento do dólar. “O que já dá para sentir é a questão do crédito. Quem antes nos procurava agora desapareceu”.

Ademir Serafim, presidente da Aresp, entende que a crise internacional não trouxe ainda conseqüências mais fortes à economia brasileira, mas percebe que a retração do mercado já se aproxima do setor de transportes. Ele vê que o grande nó do segmento se fez em uma etapa anterior à crise internacional. “O aumento excessivo nos preços das matérias-primas como vem acontecendo reduz cada vez mais a distância entre o pneu novo e o reformado, o que compromete o segmento. Na minha visão, o mercado vai entrar em colapso. Tem muito reformador para pouco pneu”, diz.

 


 

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