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| EDIÇÃO 62 - JUL AGO SET 2008 - Antonio Carlos Fernandes |
| Reformadores avaliam os dois anos de encontros regionais |
| Depois de 18 encontros realizados em todos os cantos do país, que reuniram centenas de profissionais e empresas do segmento, participantes reivindicam continuidade da proposta, tida por eles como fator de união e de conscientização da categoria. |
| A série de 18 encontros regionais promovidos pela ABR completa agora dois anos e se constituiu, segundo os participantes, em uma importante ferramenta de união da categoria dos reformadores de pneus, além de levar aos empresários de todo o país informações importantes, como as que trataram do mercado nacional e internacional e forma de como se estabelecer uma planilha de custos adequada para manter um mercado ao mesmo tempo competitivo e justo.
Desde o primeiro encontro, realizado em São Paulo, em outubro de 206, até o fechamento deste ciclo de encontros, com o evento ocorrido em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, estiveram reunidos 413 profissionais de 316 empresas do segmento.
“É um trabalho de formiguinha, um trabalho doutrinário, necessário e difícil para passar adiante os fundamentos econômicos do segmento”, diz Paulo Moreira, proprietário da Sorocap, empresa paulista que atua há cerca de 50 anos no mercado.
Moreira foi um dos responsáveis pela organização do segundo encontro regional da ABR, realizado na região de Campinas em novembro de 2006 e que recebeu 31 profissionais de 21 empresas.
Aqueles profissionais não viviam ainda a situação mais difícil do mercado, que Moreira define como uma “posição drástica enfrentada pelos reformadores”, marcada pela alta de preços da matéria-prima e aumentos sucessivos que ganharam força neste segundo semestre, com perdas significativas de demanda.
A crise, segundo Moreira, torna os encontros regionais ainda mais valorosos. “É o caminho correto, e as reuniões deveriam ser feitas de forma mais sistemática”, recomenda. Isso permitiria, na sua opinião, que os reformadores passassem adiante os fundamentos propostos pela ABR.
A posição drástica identificada por Moreira no momento atual tem vida curta, pela sua avaliação. “A recapagem é fundamental para o sistema de transporte e representa para o Brasil uma economia de US$ 100 milhões por ano”, diz. E a ausência de reformadores, afirma, que respondem pela reforma de mais de 8 milhões de unidades por ano, resultaria em uma demanda que as fábricas de pneus novos não poderiam atender.
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| Importações |
| Vanderlei Poletto participou, em março de 2007, em Porto Alegre, de mais um encontro regional da ABR, junto com outros 20 profissionais do segmento, cada um representando uma empresa. Naquele momento, de acordo com Poletto, o mercado já estava complicado, e a presença no Estado dos profissionais da ABR foi de grande valia para os empresários da região.
“Mas não deu ainda para conscientizar o reformador de se trabalhar os custos para definir o seu preço”, diz. Poletto resume assim a situação vivida pelo segmento: “o mercado não paga por causa das importações, que têm por outro lado um índice de recabilidade muito baixo.”
Presente há 35 anos no mercado e com cinco unidades no Estado, Poletto entende que o caminho para o segmento é conscientizar o reformador da realidade do marcado e depois passar a praticar um preço mais alto e justo.
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Competição |
A agressividade da competição do mercado de reforma de pneus é um entrave momentâneo para que vingue a proposta da ABR de fazer com que os empresários do segmento possam adotar uma planilha de custos adequada. Esta é a opinião de Roberto de Oliveira, reformador de Lages, Santa Catarina, que nota um quadro em mudança no país que reduzirá a médio prazo o número de empresas, a exemplo do ocorrido nos Estados Unidos e Europa nos anos 80, em que se experimentou processo semelhante ao vivido hoje pelo Brasil.
Roberto de Oliveira entende que o encontro regional da ABR foi importante por ajudar na questão contábil das empresas e que a mensagem foi captada pelos reformadores, mas argumenta que o segmento convive hoje com um número de empresários que o mercado não suporta. Isto, segundo ele, torna impraticável a execução da planilha sugerida pela ABR, embora ela seja justa para o reformador.
O empresário, que atua há 25 anos no segmento, diz que nos últimos 3 anos a oferta por reformas foi excessiva, o que fez o preço cair muito e gerar um ambiente extremamente agressivo na busca por espaço no mercado.
Há 20 anos, segundo Oliveira, o pneu era capaz de rodar 100 mil quilômetros e acarretar em média 4 reformas. Hoje, ele avalia que o pneu rode 25 mil quilômetros e que o número de reformas nem chegue a 2. Oliveira analisa que o fenômeno veio acompanhado de um caminhão de maior potência e de estradas piores.
O empresário afirma que os mercados europeu e americano enfrentaram o mesmo problema, o que reduziu em 40% o número de reformas. “A redução no número de empresas é inevitável e vão sobreviver as mais enxutas”, avalia Oliveira.
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| Entusiasmo |
| Marcondes Cadeira, da Truck Pneus, do Espírito Santo, que está há 20 anos no segmento de reforma, é um entusiasta das reuniões setoriais promovidas pela ABR, como a realizada no Estado, em março do ano passado, em que estiveram presentes 15 empresas, com 24 participantes.
A troca de informações entre os reformadores e os alertas da ABR sobre a definição de custos, no seu entender, foram fundamentais para os empresários da região. Com 50 funcionários, Caldeira avalia que um novo encontro com os empresários locais seria oportuno para a categoria, envolvida com a importação crescente de pneus e uma margem de lucro extremamente reduzida. “Seria importante até para acalmar as pessoas”, diz.
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| Emoção |
| O aspecto motivador da categoria foi também realçado Alcídio Morgado, um dos organizadores do encontro do Rio de Janeiro, que atraiu 13 profissionais de 11 empresas do Estado em agosto do ano passado.
“A encontro foi bem positivo, e as reuniões devem continuar, pois elas trazem mais união para os reformadores”, afirma. E a proposta da ABR de se estabelecer planilhas de custo para se estabelecer o preço de serviço cobrado pelo empresário é positiva e muito importante, já que essas questões são muitas vezes tomadas apenas pela emoção e deixam de lado fatores importantes da contabilidade da empresa.
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Globalização |
| Marcos Veríssimo participou do encontro regional de Fortaleza, em setembro do ano passado. Lá estavam 18 profissionais, que representavam 13 empresas, entre elas a dele, a Renovadora de Pneus Olico, que atua em vários pontos do Nordeste. Do encontro, Veríssimo percebeu que muitos empresários, principalmente da Capital, que levou poucos representantes ao encontro, não se atinaram da importância do que estava sendo discutido e do momento vivido pelo mercado.
“Este mercado está em mutação muito rápida, e a gente precisa de cada vez mais informações deste mundo globalizado”, diz Veríssimo, presente no segmento de reforma de pneus há 23 anos.
Neste mercado em transformação, o empresário identifica um cenário de preços cada vez mais baixos e a categoria em dificuldades em lidar com isso. E pede um novo encontro com a ABR que tenha em pauta o reforço da discussão de planilha de custos e informações não só sobre o segmento como da conjuntura econômica em que ele está inserido.
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Loucura |
| “Está todo mundo louco pra vender a qualquer preço”, desabafa o empresário Antonio José Lemos, de Bauru, São Paulo, que esteve no encontro promovido pela ABR em sua cidade, em abril deste ano. Esteve na reunião um grupo de 24 pessoas, que representavam 17 empresas da região.
“Subiu a borracha e os reformadores abaixaram o preço”, protesta este empresário, que viu seu negócio entrar em queda a partir dos anos 90 com a abertura das importações, entre elas dos pneus.
Com 33 anos no segmento de reforma de pneus, Lemos reivindica mais encontros como o promovido pela ABR para tentar reverter a situação de um mercado em que sua empresa chegava a reformar 3 mil pneus mensalmente, número que atinge hoje a no máximo 700 unidades. “Do jeito que está, vai quebrar meio mundo”, lamenta.
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| Semente |
| Reformador de Goiânia, em que atua há 23 anos no segmento, Pedro Rosa revela que o encontro promovido pela ABR foi um divisor de águas para a categoria na região. O encontro realizado em junho deste ano reuniu 32 profissionais de 25 empresas. “É uma semente que se planta que serve de motivação para as pessoas”, diz.
Depois daquele encontro, Pedro Rosa conta que os empresários da região já se reuniram quatro vezes e os goianienses prevêem a fundação da associação local de reformadores no final de outubro.
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Encontros Regionais
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• São Paulo – 10/10/2006
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| • Campinas – 11/11/2006 |
| • Associação Tipler – 25/11/2006 |
| • Belo Horizonte – 2/2/2007 |
| • Porto Alegre – 15/3/2007 |
| • Lages/SC – 20/03/2007 |
| • Curitiba/PR – 22/3/2007 |
| • Espírito Santo – 28/03/2007 |
| • Uberlândia – 5/7/2007 |
| • Rio de Janeiro – 28/8/2007 |
| • Salvador – 30/8/2007 |
| • Fortaleza – 18/9/2007 |
| • Belém – 20/09/2007 |
| • Varginha/MG – 25/10/2007 |
| • Bauru/SP – 10/04/2008 |
| • Goiânia/GO – 25/06/2008 |
| • Cuiabá/MT – 24/7/2008 |
| • Campo Grande/MS – 21/8/2008 |
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