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ARQUIVO 29
EDIÇÃO 61 - ABR MAI JUN 2008 - Antonio Carlos Fernandes
Seminário em Cuiabá mostra valor da reforma para o meio ambiente
O projeto Econsciência 2008 – Desafios da Gestão Ambiental, organizado pela Rede Gazeta de Comunicação, foi realizado durante a semana de meio ambiente e contou com expositores de diferentes áreas, como a recapadora Buzetti Pneus, que atua há 21 anos na região.
A Rede Gazeta de Comunicação, em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Fórum Mato-grossense de Meio Ambiente (Formad) e o Grupo de Apoio, Estudo e Pesquisa Ambiental e Cultural (Gaepac- Proyby) realizou em Cuiabá, de 4 a 6 de junho, o Seminário Econsciência 2008 – Desafios da Gestão Ambiental.

O encontro reuniu em Cuiabá profissionais que atuam em diferentes frentes e desenvolvem trabalhos tendo a questão ambiental como baliza. Da área de pneus, coube à Buzetti Pneus, que trabalha há 21 anos na região, expor o funcionamento da empresa e sua preocupação com a preservação do meio ambiente.

A recapadora de pneus foi responsável pela palestra “A Importância da Reforma de Pneus para o Meio Ambiente”. A empresa utiliza a tecnologia Drebor SPD para levar adiante a proposta de dar eficiência à recapagem sem perder de vista os fundamentos ambientais. Para o diretor comercial da Buzetti Pneus, Luiz Alberto Buzetti, a tecnologia aplicada na recapagem permite, por exemplo, que o pneu seja recapado mais de duas vezes. A empresa tem uma capacidade de produção de 2 mil pneus/mês.

Na série de reportagens sobre pneus, o jornal de Cuiabá salientou que o primeiro segmento industrial a fazer reciclagem foi exatamente o de pneus, o que acontece há mais de 60 anos. A técnica surgiu durante a segunda guerra mundial. A palestra frisou algumas vantagens alcançadas pela recauchutagem. Enquanto a fabricação de um pneu novo usa 79 litros de petróleo, para recapá-lo são necessários somente 22 litros utilizados na fabricação da banda. Isso significa uma economia de 57 litros de petróleo, somando uma economia anual no Brasil de mais de R$ 500 milhões de litros de óleo diesel por ano. Em relação ao consumo de energia elétrica há uma redução de 80%.

Os fabricantes de materiais para recauchutagem investem assim em práticas ambientais ao reutilizar pneus e economizar petróleo e energia. Trata-se de uma prática mundial, segundo a palestra da Buzetti Pneus, que teve sua origem como forma de evitar o desperdício, por isso é considerada na Europa como “indústria verde”.

Pelos dados fornecidos pela ABR e utilizados na palestra, o volume de pneus reformados para transporte é superior a 8,5 milhões de unidades por ano. Já a indústria de pneus no Brasil produziu no ano passado 57,3 milhões de unidades, dos quais 7,8 milhões foram destinados a caminhões e ônibus.

Para fazer a banda de rodagem, explicou o jornal, são utilizados apenas 25% do material utilizado na produção de um pneu novo, economizando assim petróleo, um recurso natural não-renovável cada vez mais caro, escasso e poluente. O Brasil aparece como o segundo mercado mundial de recapagem e apresenta nível técnico de padrão internacional.

 

O pneu na engenharia civil
O uso de carcaças de pneus na engenharia civil envolve diversas soluções criativas, em aplicações bastante diversificadas, tais como barreira em acostamentos de estradas, elemento de construção em parques e playgrounds, quebra-mar, obstáculos para trânsito e, até mesmo, recifes artificiais para criação de peixes.

O pó de raspa, agregado à mistura e composições de borracha para artefatos, pode ser utilizado na fabricação de pneus novos, borrachas para recapagem e outros produtos.

 

O pneu na geração de energia
O poder calorífico de raspas de pneu equivale ao do óleo combustível, ficando em torno de 40 Mej/kg. O poder calorífico da madeira é por volta de 14 Mej/kg. Os pneus podem ser queimados em fornos já projetados para otimizar a queima. Em fábricas de cimento em outros países, sua queima já é uma realidade. A Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) informa que cerca de 100 milhões de carcaças de pneus são queimadas anualmente nos Estados Unidos com esta finalidade, e que o Brasil já está experimentando a mesma solução.

 

Asfalto modificado com borracha
O processo envolve a incorporação da borracha em pedaços ou em pó. Apesar do maior custo, a adição de pneus no pavimento pode até dobrar a vida útil da estrada, porque a borracha confere ao pavimento maiores propriedades de elasticidade frente a mudanças de temperatura.

O uso da borracha também reduz o ruído causado pelo contato dos veículos com a estrada. Por causa destes benefícios, e também para reduzir o armazenamento de pneus velhos, o governo americano requer que 5% do material usado para pavimentar estradas federais sejam de borracha moída.

 
 
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