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ARQUIVO 29
EDIÇÃO 61 - ABR MAI JUN 2008 - Antonio Carlos Fernandes
ABR faz encontros em Bauru e Goiânia
Os últimos encontros regionais verificaram que a categoria está atenta para a proposta da Associação em organizar o segmento e discutir critérios que tornem a concorrência saudável e permitam a união dos profissionais.
A ABR realizou em abril, na cidade paulista de Bauru, mais um encontro regional de reformadores de pneus. Foi o 15º encontro promovido pela Associação, que leva para todo o território nacional discussões importantes sobre o segmento e traça um panorama do mercado nacional e internacional de pneus.

Antônio José Lemos, proprietário da Miudinho Pneus, de Penápolis (SP), um dos empresários presentes e um dos articuladores da reunião dos reformadores locais com a ABR, descreveu a situação atual de sua empresa.

Lemos diz que sua empresa, fundada em 1975 e que já chegou a empregar 60 pessoas, conta hoje com 20 funcionários. O quadro, segundo ele, começou a se deteriorar com o governo de Fernando Collor, em 1990. Com as decisões políticas tomadas no período, entre elas a abertura radical do mercado interno para as importações – fenômeno de forte repercussão ainda hoje com a entrada no Brasil de produtos asiáticos –, ele caiu de uma demanda de 3 mil pneus reformados por mês para 800 unidades, o que explica a redução do corpo de funcionários da Miudinho Pneus.

“O pneu importado está pegando todo mundo”, avalia Lemos. Ele entende que a concorrência tornou o pneu novo muito barato, com reflexos em toda a cadeia produtiva. Com margem de lucro extremamente reduzida, a concorrência, segundo ele, ganhou caminhos estranhos e prejudiciais à categoria de reformadores. “O que precisava era unir a classe. Parece que um é inimigo do outro”, diz.

Elaine Pinheiro, uma das proprietárias da Pinheiro Pneus, de Bauru (SP), bateu na mesma tecla: a necessidade de união dos reformadores. “O recauchutador não está ganhando nada. Todos sabem que o mercado está ruim. A reunião com a ABR foi para mostrar isso”, desabafa.

A Pinheiro Pneus, segundo Elaine, existe desde 1983. No início, a empresa trabalhava com consertos de pneus de terraplanagem e, em 1990, passou para a recauchutagem. A Pinheiro Pneus, que já chegou a trabalhar com 16 funcionários, hoje está com 10, e Elaine percebe que a união entre os reformadores é uma forma de não desanimar e enfrentar as dificuldades do mercado. “Eu queria mesmo que tivesse uma nova reunião com a ABR”, diz.

 

Encontro promove a criação de nova associação regional
Em Goiânia (GO), em junho, aconteceu o 16º encontro regional promovido pela ABR, com a presença de 26 empresas da região.

Sinal de que os empresários locais estão sensíveis aos movimentos do mercado, da necessidade de integração e união da categoria, é que depois do encontro, marcaram para julho, nova reunião entre os reformadores, para a fundação de uma associação regional representativa dos empresários. Pedro Rosa é um dos articuladores para a associação, proprietário da Tarumã Pneus, atua faz 23 anos no mercado de reforma de pneus. Sua empresa conta com 85 funcionários e reforma 3.100 pneus mensais.

 

Proposta dos encontros
Desde o primeiro encontro regional, em 2006, o tema concorrência tem sido um dos destaques das exposições da ABR, que tem defendido a importância de uma planilha nacional de referência – a proposta leva em conta as particularidades sazonais que podem trazer interferência na composição de custos.

Cada reformador inclui seus dados, embora diferentes, os números seguem o mesmo critério na hora de elaboração dos valores. A atual planilha foi aprovada pela ABR e Câmara dos Fabricantes de Matérias-primas e passou a ser apresentada e discutida nos encontros regionais (veja a página 42).

A proposta da ABR é exatamente essa: levar os reformadores a adotar um padrão para determinar seus custos. O lucro seria decorrente da eficiência na administração de seus cálculos para determinar o valor dos serviços.

A partir do primeiro encontro, a ABR passou a reforçar os encontros regionais pela receptividade junto aos associados, que se manifestavam pelo acerto de a Associação colaborar na questão da definição dos valores.

A ABR salientava na ocasião que era exatamente esse o objetivo: fazer com que as empresas se tornassem rentáveis, evitando as ações que pudessem prejudicar indiretamente o grupo de reformadores. Pela fórmula sugerida, a Associação enfatizava que não adiantava determinar um critério de cálculo baseado no desempenho da concorrência, pois assim seria ignorada a estrutura que levou àquele valor.

A ABR seguiu adiante com a proposta e completou até agora 16 encontros regionais em diferentes estados brasileiros. Nos eventos realizados, estiveram presentes mais de 350 pessoas e cerca de 250 empresas. A ABR realizou em junho o 16º encontro em Goiânia e pretende estar em julho e em agosto nas cidades de Campo Grande (MS) e Cuiabá (MT).

 

 
 
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