| A ABR realizou em abril, na cidade paulista de Bauru, mais um encontro regional de reformadores de pneus. Foi o 15º encontro promovido pela Associação, que leva para todo o território nacional discussões importantes sobre o segmento e traça um panorama do mercado nacional e internacional de pneus.
Antônio José Lemos, proprietário da Miudinho Pneus, de Penápolis (SP), um dos empresários presentes e um dos articuladores da reunião dos reformadores locais com a ABR, descreveu a situação atual de sua empresa.
Lemos diz que sua empresa, fundada em 1975 e que já chegou a empregar 60 pessoas, conta hoje com 20 funcionários. O quadro, segundo ele, começou a se deteriorar com o governo de Fernando Collor, em 1990. Com as decisões políticas tomadas no período, entre elas a abertura radical do mercado interno para as importações – fenômeno de forte repercussão ainda hoje com a entrada no Brasil de produtos asiáticos –, ele caiu de uma demanda de 3 mil pneus reformados por mês para 800 unidades, o que explica a redução do corpo de funcionários da Miudinho Pneus.
“O pneu importado está pegando todo mundo”, avalia Lemos. Ele entende que a concorrência tornou o pneu novo muito barato, com reflexos em toda a cadeia produtiva. Com margem de lucro extremamente reduzida, a concorrência, segundo ele, ganhou caminhos estranhos e prejudiciais à categoria de reformadores. “O que precisava era unir a classe. Parece que um é inimigo do outro”, diz.
Elaine Pinheiro, uma das proprietárias da Pinheiro Pneus, de Bauru (SP), bateu na mesma tecla: a necessidade de união dos reformadores. “O recauchutador não está ganhando nada. Todos sabem que o mercado está ruim. A reunião com a ABR foi para mostrar isso”, desabafa.
A Pinheiro Pneus, segundo Elaine, existe desde 1983. No início, a empresa trabalhava com consertos de pneus de terraplanagem e, em 1990, passou para a recauchutagem. A Pinheiro Pneus, que já chegou a trabalhar com 16 funcionários, hoje está com 10, e Elaine percebe que a união entre os reformadores é uma forma de não desanimar e enfrentar as dificuldades do mercado. “Eu queria mesmo que tivesse uma nova reunião com a ABR”, diz.
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