| Uma votação no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), no dia 12 de dezembro, manteve a decisão da ministra Ellen Gracie, que proibiu as empresas de importarem carcaças de pneus para remoldagem. Com a decisão, estão suspensas as liminares que estavam em vigor permitindo as importações.
Ellen Gracie se baseou equivocadamente em dados do Ministério do Meio Ambiente que indicam que esse tipo de importação de “pneus inservíveis”, segundo a assessoria de imprensa do STF, trouxe danos ao Brasil, mais especificamente ao meio ambiente e à saúde.
Na semana anterior, por coincidência, o diretor-secretário da ABR, Hersílio de Moura, publicava carta no jornal Folha de São Paulo, em que mais uma vez refutava os dados que alimentaram a decisão. “Esclareço que não há embasamento técnico para a tese de que o segmento de remoldados importa pneus usados para virar lixo no Brasil. Esse setor é considerado indústria verde em qualquer lugar do mundo”.
Na carta, Hersílio de Moura citava pesquisa do físico Luiz Pinguelli Rosa para sustentar sua posição. “Segundo o estudo do físico Luiz Pinghelli Rosa, o processo de remoldagem utiliza 2,3 menos energia e 25 menos água do que em pneu novo em sua fabricação. Sem falar na economia de 20 litros de petróleo em comparação ao necessário à produção de um pneu novo de carro, número que dobra no caso de pneu de caminhão. Os pneus reciclados podem ser reaproveitados como combustível para altos fornos, na produção de pisos industriais, tapetes de automóvel, borracha de vedação”.
Ainda de acordo com texto publicado pela assessoria do STF na página do tribunal, os ministros Eros Grau, Marco Aurélio e Ricardo Lewandowski, três dos sete juizes que votaram contra a proibição, argumentaram que essas empresas estavam sendo tratadas de forma desigual, já que outras empresas não foram impedidas de praticar esse tipo de importação. O ministro Marco Aurélio, segundo o texto, também defendeu que o Supremo discuta o assunto de forma mais ampla com a Procuradoria Geral da República e os advogados de defesa.
Na carta endereçada ao jornal, Hersílio questiona o caminho até agora tomado pela Justiça brasileira. “O que o governo pretende? Impor uma proteção comercial e colocar o mercado de novo sob controle das multinacionais? Sucatear o parque nacional, composto por 130 empresas e mais de 40 mil empregos diretos e indiretos?”.
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