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ARQUIVO 29
EDIÇÃO 56 - FEV 2007 - Graziela Potenza
O ano de 2006 não foi nada fácil
O presidente das ABR, Hersílio Coelho Moura, fala das dificuldades, conquistas e acontecimentos do segmento de Reforma de Pneus nacional durante o ano passado.
O segmento de Reforma de Pneus, em 2006, registrou, de maneira global, uma queda de aproximadamente 12% em relação a 2005. Segundo o presidente da Associação Brasileira do Segmento de Reforma de Pneus (ABR), Hersílio Coelho de Moura, essa queda foi atribuída a uma série de fatores. Um deles foi o fraco desempenho do setor de Transportes que acabou refletindo em toda economia nacional.

Outro fator que acabou influenciando nessa queda foi a entrada dos pneus asiáticos, em especial, os chineses. Eles chegam no mínimo, 30% mais em conta em relação aos pneus novos nacionais. E esse preço, no primeiro momento, está conquistando a preferência de muitos consumidores, motociclistas, caminhoneiros e frotistas que optaram por esse tipo de pneu.

Como os veículos estão começando a rodar com os pneus importados, o próprio mercado se encarregará de depois de um tempo, atestar ou não a qualidade desses produtos. A ABR aguardará os resultados de qualidade para obter informações tais como o seu índice de recapabilidade e durabilidade.

Em 2007, a ABR tem como meta realizar um novo censo. O último foi realizado em 2003. Naquela época, o foco principal concentrou-se somente no segmento de pneus de caminhões e de ônibus. No censo 2007, além do setor de cargas, a ABR irá ouvir também os setores de pneus para carros de passeio, motocicletas, agricultura, indústria e fora-de-estrada que ganharam grande importância nos últimos tempos. “Para se ter uma idéia real do nosso setor, precisamos fazer essa pesquisa mais abrangente, cobrindo todas essas áreas. Nesses quatro anos, temos idéia que muitos reformadores de pneus fecharam, mas outros abriram. No geral, o setor é constituído por cerca de 1.600 empresas”, diz Hersílio Moura.

Por intermédio do censo 2007, a entidade pretende reunir informações gerais do setor. A ABR pretende também criar um Selo Verde (ambiental da ABR).

 

Padrão internacional
O Brasil é o segundo mercado mundial de reforma de pneus. Nos últimos dez anos, o setor evoluiu bastante. Em termos de tecnologia, mão-de-obra qualificada e equipamentos que têm padrão internacional. Com a certificação do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), o setor de pneus passeio, tem a certificação obrigatória. O pneu de carga também já está na fase final para obter essa certificação.

Devido às inúmeras dificuldades enfrentadas pelas empresas do setor de Reforma de Pneus, este ano, houve um declínio quanto à geração de empregos no segmento. “A partir do momento que o setor diminuiu, o emprego diminuiu na mesma proporção”, explica Hersílio Moura salientando que algumas empresas, inclusive, reduziram os seus turnos.

“Na virada do século, 2004 foi, talvez, o melhor ano do setor. Nessa época, registramos um grande número de geração de empregos e da produção industrial. A maioria das empresas trabalhava até com três turnos. Já, em 2005, ocorreu uma queda. Em 2006, foi o ápice dessa queda. Hoje, algumas empresas estão trabalhando em dois turnos e outras em apenas um. Houve uma desaceleração e, conseqüentemente, o desemprego. Ocorreu também uma queda no consumo de matérias-primas utilizadas no processo de reforma”, lembra o presidente da ABR.

 

Dificuldades

O setor de Reforma de Pneus sempre teve o preço da reforma atrelado a um determinado percentual do preço do pneu novo. Quando o preço do pneu novo brasileiro teve que se adequar para fazer frente aos pneus novos importados da Ásia acabou influenciando o segmento de Reforma de Pneus.

Um outro aspecto importante que a ABR e as associações regionais vêm lutando é melhorar a sintonia no setor. “Nós reformadores acabamos nos tornando concorrentes em níveis muito desiguais. Da mesma forma que há empresas que estão em um patamar de qualidade se preparando para uma certificação do Inmetro, existem outras que não se adequaram ao momento atual. Por isso, que nós do setor de reforma somos defensores da certificação, que irá privilegiar aquele recauchutador que investe em equipamentos novos, tecnologias, treinamento de seus funcionários, entre outros”, diz.

De acordo com Hersílio Moura, a ABR, em 2006, teve grande parte do seu tempo dedicado em defesa do setor no tange ao aspecto judicial. “Começamos e terminamos 2006 com várias ações judiciais. Enfrentamos a inibição da importação de carcaças, que é a matéria-prima fundamental para o setor. Tivemos o caso da proibição do uso de pneus reformados em motos, entre outras questões”.

Por isso tudo, a ABR teve que dedicar o tempo de seus profissionais e parte de seus recursos financeiros à defesa do setor na área jurídica. “É um custo elevado já que envolve deslocamentos dos funcionários, assessoria jurídica, etc.”

 

Conquistas
Mas o ano de 2006 também foi marcado por conquistas da ABR. No início de abril, foi contratado Lupércio L. Friolani, bacharel em Ciências Contábeis, que assumiu o cargo de diretor Executivo da ABR. Ex-executivo da multinacional Bridgestone Firestone possui no seu currículo larga experiência nas áreas administrativa, financeira e comercial. O novo diretor Executivo da ABR afinou os controles das áreas administrativa/financeira, e deu suporte às ações pertinentes da ABR, usando toda a sua experiência adquirida ao longo da sua carreira profissional.

Outro destaque foi, em outubro, a contratação de uma assessoria de imprensa. Ela será o principal canal de comunicação entre a Associação, seus associados e a mídia nacional. “Vamos mostrar a verdadeira cara do nosso setor ecologicamente correto” diz Hersílio.

A criação dos Encontros Regionais que começaram a serem promovidos em todo o território nacional também foi outra realização. Essa iniciativa funciona como um processo de reciclagem já que esses encontros, além de discutirem a metodologia de cálculos, serão ótimos canais para se conhecer as dificuldades regionais enfrentadas pelos reformadores. Além dos critérios e sistemas de custos, a ABR está em contato direto com as questões de cada região.

 

Expectativas
“Nós somos sempre otimistas. Achamos que 2007 será melhor. Principalmente, se o governo fizer investimentos na infra-estrutura do País. Para movimentar o nosso setor, o governo precisa movimentar a economia. Precisa melhorar as estradas, as condições dos portos, promover as reformas fiscais e tributárias. Sem essas medidas iremos continuar patinando. Nós não queremos que a primeira década do novo milênio seja perdida. Mas, estamos otimistas. Acreditamos que vamos achar soluções para alavancar o nosso setor”, finaliza o presidente da ABR.

 

Balanço 2006
• Queda de aproximadamente 5% em relação a 2005.

• Pneus chineses, no mínimo, 30% mais em conta em relação aos pneus novos nacionais.

• Declíno quanto à geração de empregos no segmento.

• Grande parte do tempo dedicado em defesa do setor no que tange ao aspecto judicial.

• Contratação de diretor Executivo.

• Contratação de assessoria de imprensa.

• Criação dos Encontros Regionais que começaram a ser promovidos em todo território nacional.

 

Objetivos em 2007
• Realizar um novo censo abrangendo os setores de cargas, pneus para carros de passeio, motocicletas, agricultura, indústria e fora-de-estrada.

• Criar um Selo Verde (ambiental da ABR).

• Melhorar a sintonia do setor.

 
 
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