| Por mais testes que se faça, por mais laudos comprovando a eficiência do pneu reformado, nada melhor do que a experiência de um usuário. Ainda mais quando esse usuário é responsável pelo transporte de 100 mil pessoas por dia em média, com picos de 156 mil/dia.
Este é o caso de Roberto Peyres, encarregado Geral da Borracharia das empresas Translitoral, Viação Bertioga e Guarujá Transporte, num total de 520 ônibus, entre municipal, intermunicipal, urbano e turismo.
“Nossa média de quilometragem é igual para os pneus novos e reformados, em torno de 60 mil quilômetros no transporte urbano, que tem mais desgaste devido ao calor”, compara Roberto Peyres. “No caso do ônibus de turismo, o pneu agüenta até 80 mil quilômetros”.
Os pneus são retirados para reforma assim que atingem a profundidade mínima de 2 mm, apesar de a lei permitir até 1,6 mm. Essa antecipação é justificada no cuidado para que a carcaça não seja atingida, o que, caso ocorra, inutiliza o pneu para a reforma. E para que essa norma se mantenha, o controle tem que ser rigoroso.
“Tenho um funcionário encarregado de verificar o estado de cada um dos pneus de todos os ônibus, todas as noites. Não pode deixar de olhar”, ensina Peyres. “Em dois anos que estou aqui, nunca perdi uma carcaça”.
A experiência fez com que o encarregado da Translitoral aprendesse muito sobre o comportamento dos pneus. Como exemplo, o fato de a dianteira do veículo ser muito agressiva, exigindo muito dos pneus dianteiros que sofrem principalmente no ombro direito porque o motorista está sentado em cima do lado esquerdo e passa o dia inteiro tentando acertar o alinhamento de direção corrigindo para o lado direito. O fato que contribui com o desgaste do lado direito são os passageiros que sempre ficam mais desse lado para ficar vendo a calçada.
Roberto Peyres utiliza pneus novos apenas na dianteira. “Numero o pneu com números pares para a dianteira direita e impares na dianteira esquerda”, ensina Peyres. “A cada 15 mil quilômetros faço revisão onde são avaliados os pneus nos mínimos detalhes. O rodízio não é feito de acordo com quilometragem, e sim, de acordo com o visual. Às vezes eu mudo a roda, para fazer com que o desgaste seja por igual”.
Quando chega a hora da reforma, ele opta pelo processo pré-moldado como o da Vipal ou o da Tipler. Isto porque a manta pré-moldada agride menos a carcaça por trabalhar com temperatura mais baixa, permitindo maior rendimento e aproveitamento, porque ela aquece só a banda de rodagem. No outro sistema, aquece o pneu todo. O pneu reformado rende tanto quanto o novo e até mais, pois são utilizados nas rodas traseiras, que apresentam menos severidade aos pneus.
Todos os pneus da empresa são radiais por oferecerem maior rendimento. “O pneu diagonal rendia 18 a 20 mil quilômetros, o que fazíamos em 30 ou 40 dias. Ninguém conseguia ver nada na suspensão porque o desgaste era muito rápido e o pneu era jogado fora”, lembra o encarregado da Translitoral. “A resistência ao rolamento do pneu diagonal é maior do que o pneu radial, o que aumenta o consumo. Porém, o pneu radial é mais sensível a batidas no meio fio. Os fios de aço podem sofrer avarias. Quando bate, formam um vinco que se flexiona e abre cada vez mais. Por isso, na empresa cobramos de todos os motoristas para que evitem esse tipo de batida. Todo dia verificamos pneu por pneu, de todos os ônibus e o encarregado dessa função anota em uma ficha para sabermos o que está se passando”.
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