29

ARQUIVO 29
EDIÇÃO 55 - OUT 2006 - Francisco Reis
Ecopontos: o uso adequado dos pneus inservíveis
Todos os setores envolvidos com pneus estão se mobilizando para encontrar a melhor solução para o fim de sua vida útil de uma forma ecologicamente correta. Já há algumas idéias, mas ainda falta muito.
No dia 11 de agosto, a Associação dos Recicladores de Pneus e Produtos de Borrachas (Arebop) promoveu um seminário em São Paulo, para discutir quais as melhores soluções para os pneus inservíveis, aqueles que atualmente são jogados em qualquer lugar, poluindo o meio ambiente. A ABR esteve representada por Lupércio Friolani, diretor Executivo, e por Carlos Thomaz, assessor Técnico.

A data foi escolhida para aproveitar a presença no Brasil, de Anne Evans, diretora da Tire Industry Association (TIA) e saber o que tem sido feito nos outros países. A TIA possui mais de 5.200 sócios, em 135 países, representando todo o ciclo industrial do pneumático incluindo fabricantes, revendedores, reformadores e recicladores de pneus.Além disto conta com sócios também de indústrias que fornecem matérias-primas e equipamentos para os quatro setores citados. A TIA vem estudando o problema dos pneus pneus inservíveis há 25 anos na Europa e nos Estados Unidos.

No Brasil, a Arebop congrega 11 empresas recicladoras certificadas e tem como um dos seus objetivos, agregar empresas que tenham envolvimento com pneus que não servem mais para uso.

A preocupação com o tratamento do resíduo sólido é uma preocupação mundial. Germano Julio Badi, representante da Tire Industry Association (TIA) no Brasil, explica que a idéia inicial “é transformar os reformadores e revendedores de pneus em Eco pontos. A intenção é criar um sistema que tenha um fluxo contínuo de pneus. Em uma primeira etapa, ele passaria por uma análise para saber se pode ou não ser reformado. Caso não tenha condição, o pneu seria encaminhado à reciclagem”, diz Germano Badi.

As associações ligadas à produção, comercialização, reformas e reciclagem de pneus vem analisando todas as informações pertinentes ao assunto para elaborar um projeto-piloto de toda operação que envolve o pneu depois de seu uso. Esse é um processo que exige muito estudo já que cada mercado possui características totalmente diferentes.

O usuário também é responsável pela morte prematura do pneu na medida em que não cuida da manutenção do veículo deixando de fazer alinhamento, balanceamento e de controlar a pressão dos pneus. Agrega-se a isso o uso de desenho de bandas e emparelhamento inadequados.

É preciso estimular a reutilização, com o maior número de reformas possível, o que reduz o consumo de derivados de petróleo. A reciclagem é outro caminho na produção de solados, tapetes, materiais de construção, liga asfáltica e na própria produção de pneus. O problema para isso é encontrar uma escala econômica, a logística e incentivos como financiamentos e redução de impostos para as empresas que se dispuserem a fazer parte desse projeto.

Germano Badi acha que algumas medidas precisam ser tomadas para que o Brasil possa cuidar devidamente de seus pneus inservíveis. “Precisamos ter uma forma mais ativa na formulação de uma legislação”, afirma o representante da TIA. “Temos que mudar o foco e valorizar o pneu e não encará-lo unicamente como um resíduo. Precisamos fomentar o desenvolvimento de tecnologias, criar financiamentos para recicladores, incluir derivados da borracha nos pneus novos, entre outras coisas”.

 

Um giro pelo mundo
Essa questão de descarte de resíduos não é um problema apenas nacional, mas sim, uma questão mundial. Nos EUA, por exemplo, cada estado legisla sobre esse tema. Há estado que criou uma legislação para a coleta, outro para o acondicionamento dos pneus e assim por diante, não há um padrão. Na cidade de Phoenix, no estado do Arizona, foi feito um teste misturando a borracha do pneu usado no asfalto com ótimos resultados e redução no nível de ruído das estradas e aumento da segurança. No Brasil já existe aplicação também, mas ainda de forma incipiente . Ante a constatação da crescente quantidade de pneus descartados, foram elaborados estudos que viabilizassem sua utilização na melhoria dos ligantes asfálticos usados em pavimentação. A pesquisa transformou-se em uma realidade tecnológica de melhoria do asfalto. Uma realidade ecológica por proporcionar uma destinação adequada aos pneus inservíveis e uma realidade econômica, pois a reciclagem do pneu cria um nicho comercial responsável pela geração de emprego, renda e economia para a sociedade e para o estado. Nos Estados Unidos, há incentivo para o uso de produtos reciclados. Por decisão presidencial, todos os órgãos governamentais são obrigados a utilizar pneus reformados.

O Canadá também tem legislação estadual, mas ela é coberta também pelo órgão ambiental federal. As pessoas se organizam para a coleta dos pneus e o governo se encarrega da coleta. Porém, o consumidor paga $ 3,00 por este serviço. Com isso, 90% dos pneus são coletados. Mas ainda há inconsistência na coleta de pneus, no tratamento e destino das pilhas de pneus. O Canadá ainda não encontrou uma solução definitiva.

Na Inglaterra é diferente. Preocupou-se mais em obter controle sobre o fluxo desses pneus. Há cinco anos, segundo Anne Evans, diretora da TIA, os recicladores formaram um esquema para mostrar que poderiam fazer todo o processo sem depender do governo. Quem tem muitos pneus, levá-los até uma fábrica onde eles poderão ser utilizados, é feita uma auditoria controlada pela associação dos recicladores e é fornecido um certificado com o número de pneus que foram eliminados. Por isso, foi criado um sistema de informação sobre sua destinação. Cada operador da rede de reciclagem tem que estar credenciado e informar todo o movimento do produto que necessita de autorização para transporte.

Lá existe a Waste and Resources Action Programme WRAP, ou Programa de Ação para Resíduos e Recursos. Um programa que se preocupa em encontrar tecnologias e mercados para os pneus inservíveis.

Na França, o conceito de pneu inservível é muito diferente e interessante. Esses produtos são reconhecidos pelo seu grande potencial de valorização como produtos derivados. Isto porque na sua confecção são utilizados materiais nobres que, muitas vezes, são escassos na natureza.

Essa mentalidade francesa faz com que haja uma valorização do produto. Foi criada uma rede que coleta o pneu, submete-o a uma triagem e é encaminhado para o destino de acordo com o seu estado. Ocorre um investimento em toda a sua estrutura logística e, sobretudo, em pesquisas para tentar extrair o máximo de seus componentes. Os franceses levam em consideração a pirâmide: reutilizar, reciclar e recuperar.

 

 

<•> Voltar para índice PNEWS 55
<•> Voltar para Revistas anteriores
 
 

Associe-se