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ARQUIVO 29
EDIÇÃO 55 - OUT 2006 - Graziela Potenza
Ver para crer
Com preços bem mais acessíveis, os pneus asiáticos, em especial os chineses, estão invadindo o mercado nacional. O segmento de Reforma de Pneus prefere não se precipitar e aguardar para ver quantas reformas eles podem receber.
O mercado nacional de pneus está sofrendo uma concorrência mais acirrada com a entrada dos pneus asiáticos, em especial os vindos da China. Eles chegam, no mínimo, 30% mais em conta em relação aos pneus novos nacionais. E esse preço está conquistando a preferência de muitos consumidores, motociclistas, caminhoneiros e frotistas.

Para se ter uma idéia do volume de pneus de carga chineses que entrou no mercado nacional, foram importados 200 mil unidades no ano passado. Esse número já aumentou 250% somente neste primeiro semestre, segundo fontes do setor.

Muitos profissionais da área de pneus alegam, a grosso modo, que os preços com que os pneus chineses chegam aqui é o mesmo das matérias-primas utilizadas pelos fabricantes locais. E stima-se que, em 2005 e primeiro semestre de 2006, os produtos chineses, principalmente, para as linhas caminhões e ônibus, já detivessem em torno de 10% do mercado anual de reposição para esses pneus.

Como os veículos estão começando a rodar com os pneus importados, principalmente da China, o próprio mercado se encarregará de daqui um tempo, atestar ou não a qualidade desses produtos. Segundo o assessor Técnico da ABR, Carlos Thomaz “qualquer comentário antecipado sobre os pneus chineses seria precipitado. Para se saber precisamente os custos operacionais é essencial saber quantas vidas esse pneu oferece e isso só iremos descobrir depois de dois anos”. A expectativa do segmento de reforma de pneus é que eles ofereçam, no mínimo, duas vidas, valor dentro da realidade brasileira.

Todo pneu que entra para ser comercializado no mercado brasileiro tem que ser homologado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial ( Inmetro). “Portanto, todos os pneus estão entrando no País com a certificação do Inmetro”, diz Carlos Thomaz. Ele explica que o instituto não avalia a vida original e nem o índice de recapabilidade, mas verifica a resistência por intermédio de um teste de velocidade sob carga.

No Brasil, muitas transportadoras e empresas de transportes urbanos, rodoviários e intermunicipais aderiram aos pneus chineses. Já os modelos de pneu passeio chineses também estão sendo muito procurados pelos consumidores brasileiros.

Mas sua aprovação, também, avança fronteiras. Na Europa e nos EUA, têm montadoras equipando seus veículos top de linha com os pneus chineses.

Segundo o assessor técnico da ABR, Carlos Thomaz, algumas marcas chinesas possuem pneus compostos por18 lonas, nos segmentos de caminhões e ônibus. Ele explica que ainda não há dados concretos para saber quantas reformas esse pneu poderá receber.

Sobretudo, para os segmentos de caminhões e ônibus, a reforma de pneus é essencial e pesa muito no custo operacional. “Vamos aguardar para saber as opiniões dos usuários. Eles serão o nosso melhor sinalizador”, diz Carlos Thomaz.

 

Mercado Chinês
Na prática, o sucesso dos produtos importados dói no bolso dos fabricantes locais de vários segmentos como eletroeletrônicos, calçados, têxteis, confecções, brinquedos, pneus novos entre outros. Concorrer com produtos chineses não é uma missão fácil. A China possui zonas de desenvolvimento industrial de tecnologias de ponta, que começaram a ser estabelecidas há mais de 10 anos. Elas estimularam um grande número de empresas orientadas ao mercado com alta capacidade de inovação técnica e de concorrência. A maioria destas zonas de desenvolvimento registrou um rápido crescimento econômico, fortalecimento de sua capacidade inovadora e uma melhora de seu potencial de desenvolvimento.

Além disso, a China conta com ricos recursos intelectuais graças à sua grande população com alto nível de instrução, de modo que o país tem um grande potencial para desenvolver uma economia baseada no conhecimento. Por exemplo, na zona de Zhongguancun, situada em Beijing, estão registrados em uma área de 75 km quadrados, 68 centros de ensino universitário e 232 institutos de pesquisa científica.

Atualmente, grandes multinacionais do segmento de pneus estão se instalando nesse país. “Se essas empresas estão lá, é sinal que eles deslumbram naquele mercado uma possibilidade muito grande de manutenção de qualidade”, finaliza Carlos Thomaz.

 

 

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