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ARQUIVO 29
EDIÇÃO 55 - OUT 2006 - Francisco Reis
Um setor na ponta de uma caneta
Tramita na Justiça Federal em Brasília, o julgamento da liminar que permite o uso de pneus reformados em motos. Enquanto isso, o setor continua trabalhando normalmente apesar da ameaça.
Foi realizada uma audiência pública para discutir a Resolução 158, do Contran, que proíbe o uso de pneus reformados em ciclomotores, motonetas, motocicletas e triciclos, que estava sob liminar, com efeito suspensivo.

Para esta reunião que aconteceu no dia 7 de junho, o deputado Íris Simões, presidente da Comissão de Defesa do Consumidor convidou o presidente do Contran, Alfredo Perez e o presidente da Associação Brasileira do Segmento de Reformas (ABR), Hersílio Coelho de Moura.

O presidente da ABR foi objetivo fazendo uma apresentação criteriosa dos dados do setor de reforma dos pneus de moto e expôs a expectativa dos empresários do setor, que, de forma coesa e inequívoca, compareceram em massa à audiência causando forte impacto nos deputados presentes.

Diante da apresentação do presidente da ABR e da presença dos empresários, os deputados presentes na audiência foram unânimes na defesa do setor de reforma de pneus, e questionaram o Contran quanto aos critérios utilizados para proibir o uso de pneus reformados em ciclomotores, motonetas, motocicletas e triciclos.

Entre as defesas do setor, enfatizamos a do deputado Luiz Antonio Fleury Filho, que ao fazer uso da palavra, questionou a resolução 158 e sua criação. “Quem pediu para fazer esta resolução? Quem a fez? Onde?”, questionou o deputado.

Ao término da reunião, o presidente do Contran concordou com a proposta apresentada pelo presidente da ABR para envolver o Inmetro, solicitando que o instituto crie um regulamento técnico para a reforma de pneus de moto, da mesma forma que está sendo feito para os pneus de passeio.

 

Retrocesso
Quando tudo se encaminhava para uma solução rápida e baseada em critérios técnicos, um desembargador federal decidiu anular a liminar que suspendia os efeitos da Resolução Contran 158/2004, o que na prática proíbe o uso de pneus reformados em motos.

Com essa decisão, que ainda não foi publicada (mantendo a validade da liminar), o desembargador avaliza os estudos realizados pela Câmara Temática de Assuntos Veiculares, que, se pautando na análise de órgãos especializados na fabricação de motocicletas e pneumáticos, “constatou que a grande maioria das empresas que recuperam esses pneus não tem qualquer sistema técnico e de gestão de qualidade que garanta os preceitos mínimos de segurança, como: aderência, dirigibilidade, estabilidade e frenagem, concluindo assim que os pneus reformados apresentam sérias deficiências com influência no crescente aumento de acidentes com motociclistas”.

Cabe lembrar ao desembargador que, se ainda não foi adotado um padrão para os testes, é porque a ABR espera que o Contran passe as diretrizes para o Inmetro e para o IPT para que o teste seja feito com critérios, e não apenas “achismos”.

Para comprovar a qualidade e eficiência dos pneus reformados para moto, a ABR fez o teste específico, conhecido como velocidade sob carga, nos Estados Unidos, com tradução juramentada, reconhecida em cartório e que consta nos autos da petição que culminou com a liminar, devido ao fato dos pneus terem passados com mérito em todos os testes aos quais foram submetidos. O teste teve que ser realizado no exterior, pois os laboratórios nacionais não quiseram abrir as suas portas para a ABR.

A ABR, pega de surpresa com essa decisão baseada em um teste de caráter unilateral e feito sem a presença da entidade, sem consistência científica, analisado pela “Câmara Temática de Assuntos Veiculares”, que presta suporte “técnico” ao Contran, e irá prejudicar novamente um setor com mais de 120 empresas que geram mais de 20.000 empregos diretos e indiretos não ficará de braços cruzados.

A Associação já está mobilizando seu departamento Jurídico que, entrou com recurso para reverter a situação onde, do ponto de vista jurídico, tem muitas chances de mostrar nossa realidade diante de um teste específico, científico e justo.

É importante que todos os empresários do segmento mostrem a mesma mobilização de Brasília, junto às suas lideranças, objetivando o fortalecimento das ações da ABR.

A aceitação pelo Contran da idéia proposta pelo presidente da ABR foi devido não apenas à explicação clara e precisa do assunto, como também à presença maciça de empresários de vários estados. De São Paulo estavam presentes a Renoata, a Rodabem, a NR Pneus, a A. Targa e a Gold Tire. De Goiás foram a Pneus Queiroz, a Pneutyre, a Rodoart Pneus, a Resolagem Tigre a Brasileiro S. Pneus. De Minas Gerais estavam a Recabon, a Mundial Pneus, a Dallas West Pneus. Paraná, Santa Catarina, Espírito Santo e Distrito Federal foram representados por Rodabem, HMJ Pneus e Pneus Truck respectivamente.

OBS : até o fechamento desta edição, nada foi publicado no Diário Oficial da União.

 

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