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ARQUIVO 29
EDIÇÃO 54 - JUN 2006 - Graziela Potenza
Sucesso absoluto
A importância do mercado brasileiro de reforma de pneus em relação ao mundo e à América Latina foi um dos principais enfoques do palestrante da ABR.
"Panorama do Mercado Reformador e o Sistema de Qualidade” foi o tema da palestra realizada por Carlos Thomaz, assessor Técnico da ABR, no III Simpósio Internacional de Tecnologia e Eficiência na Reforma Pneumática que aconteceu no dia 9 de maio, no Expo Center Norte, em São Paulo.

Ele explicou que a recauchutagem é uma atividade predominantemente popular, com cerca de 60 anos de tradição. “Essa atividade, na realidade, começou em países do primeiro mundo, como Estados Unidos e na Europa. Iniciou-se no Brasil nos anos 50. Por isso, é uma prática mundial que teve sua origem como forma de evitar o desperdício”, explica.

A demanda pela reforma de pneus é grande nos países do primeiro mundo. Se compararmos o Brasil com os Estados Unidos, no mercado doméstico de pneus de carga, vende-se quase 15 milhões de pneus novos e comercializa-se quase 19 milhões de pneus reformados. Na Europa, vende-se cerca de nove milhões de pneus novos e oito milhões e meio de pneus reformados. O Brasil não fica tão atrás desses países. Para se ter uma idéia, vende-se cinco milhões de pneus novos e oito milhões e meio de reformados. Portanto, o Brasil é o segundo mercado mundial e tem nível técnico de padrão internacional.

“Se o mercado brasileiro for comparado somente com o mercado europeu, ele praticamente iguala-se”, diz Carlos Thomaz. Em termos de pneus reformados, tanto o Brasil como a Europa detêm a marca de oito milhões e meio de pneus reformados.

Carlos Thomaz comparou também a importância do mercado de pneus reformados brasileiro com outros países da América Latina. “No segmento de reforma de pneus, o Brasil se sobressai em relação a todos esses países”, diz.

 

Forte potencial
O setor de reforma de pneus é um grande consumidor de matérias-primas, sobretudo, as bandas pré-curadas. Dado ao uso de pneus caminhões/ ônibus muito grande no Brasil, devido ao transporte rodoviário, é inerente o fato de que se consome muitas bandas pré-curadas. Isso fez com que o Brasil se torne um forte pólo industrial. Hoje, existem aproximadamente 20 fábricas, das quais 11 delas com estruturas fortes para grande produção, para atender uma demanda de oito milhões e meio de pneus reformados da linha de caminhão/ônibus. Atualmente, 2/3 dos pneus de carga em uso são reformados. O palestrante mostrou em um gráfico que hoje, no Brasil, se consome cerca de 100 mil toneladas/ano de bandas pré-curadas e camelback. Todo o setor do transporte utiliza pneus reformados. O pneu reformado possui rendimento quilométrico semelhante ao novo, com custo 75% menor. “A economia é grande para o País”, diz Carlos Thomaz durante sua palestra.

Uma quantidade muito grande de petróleo se economiza com a reforma de pneus. Aproximadamente 57 litros de petróleo por pneu reformado na linha caminhão/ônibus e 18 litros para a linha automóvel. Por exemplo, no pneu de passeio utiliza-se na sua produção 27 litros de petróleo, contra apenas nove litros em um pneu reformado. No Brasil, em valor, isso representa mais de 500 milhões de litros de petróleo/ano de economia.

Além disso, posterga a destinação final da carcaça, reduzindo os impactos ambientais. Não é uma atividade poluidora e seus resíduos sólidos são reciclados por outras atividades, como asfalto ecológico e combustível.

O assessor Técnico da ABR lembrou também alguns números apurados no censo de 2004, realizado pela Associação. “No Brasil, são 1.578 empresas entre as quais 1.257 atuam no segmento de caminhões e ônibus, 100 no setor fora-de-estrada/agrícola; 120 no de automóvel, 100 no de motocicleta e uma no setor de avião. Em relação às empresas de matérias-primas, há 20 e de equipamentos dez, que também estão ligadas diretamente ao setor”, diz enfatizando que “o setor de reforma brasileiro é um mercado que gera um faturamento de R$ 4 bilhões/ano”.

Carlos Thomaz explicou que há um crescimento constante da frota nacional de caminhões, segundo pesquisa realizada pelo Ministério das Cidades. Hoje, a frota é constituída por cerca de 1,75 milhão de veículos. “Há um crescimento constante nessa frota e para atendê-la, serão necessários reformar muitos pneus”, enfatiza.

Outro gráfico exibido por Carlos Thomaz mostrou que o segmento de recauchutagem no Brasil, em 2004, chegou à marca de nove milhões de pneus reformados. Em 2005, ocorreu uma queda substancial para sete milhões e meio. Foram inúmeros fatores que levaram à essa queda. Entre eles, a redução dos negócios no setor de transportes, com a quebra de safra de grãos e transporte por outros modais, como exemplo o trem que já está sendo muito utilizado em alguns setores do País. Outros motivos para a queda foram a baixa qualidade das estradas, que influi na redução da qualidade das carcaças e o fato de o setor de transporte estar usando o pneu além do seu limite.

A malha rodoviária, principalmente a estadual e a federal, ainda deixa muito a desejar. A malha estadual, em 2004, tinha uma extensão de 208 mil quilômetros dos quais 110 mil não são pavimentados. Já a federal tem uma extensão de 73 mil quilômetros dos quais 15 mil não possuem asfalto. “Temos que levar em conta também que esses trechos pavimentados nem sempre estão em boas condições”, diz.

Carlos Thomaz encerrou sua palestra abordando o assunto segurança dos pneus reformados. Ele lembrou que o então presidente dos EUA, Bill Clinton, assinou em outubro de 1993, decreto determinando o uso de pneus reformados em todos os veículos do governo. Nos Estados Unidos, todas as companhias aéreas, assim como a aviação militar, usam pneus reformados. “Pneus reformados são usados diariamente e com segurança por ônibus escolares, caminhões do corpo de bombeiros, ambulâncias, táxis, serviço postal e por milhões de motoristas”, finaliza o assessor Técnico da ABR cuja palestra foi solicitada pela Universidade Federal de São Carlos.

 

 

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