 |
 |
|
 |

|
ARQUIVO |
 |
| EDIÇÃO 54 - JUN 2006 - Graziela Potenza |
| Justiça seja feita |
| A ABR esteve presente em audiência pública, em Brasília (DF), para discutir a portaria 158 do Contran e propôs que o pneu de moto seja certificado pelo Inmetro. O resultado dessa reunião foi positivo, fazendo jus a um setor que prima pela qualidade e pela responsabilidade social e ambiental. |
 |
| Alfredo Peres da Silva, diretor do Departamento Nacional de Trânsito; deputado Íris Simões (PTB/PR) e Hersílio Moura, presidente da ABR. |
No dia 19 de abril, a Comissão de Defesa do Consumidor aprovou o requerimento nº 411/06, de autoria da
Deputada Federal do PT, Selma Schons, que solicitou a realização de uma Audiência Pública para discutir a
Resolução 158 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) que proíbe o uso de pneus reformados em ciclomotores, motonetas, motocicletas e triciclos, bem como rodas que apresentam quebras, trincas e deformações.
O pedido da deputada federal foi aceito e no dia 07 de junho aconteceu a Audiência Pública, em Brasília (DF),
na Câmara dos Deputados, atendendo ao convite do presidente da Comissão de Defesa do Consumidor, Deputado Íris Simões. Estiveram representando a Associação Brasileira do Segmento de Reforma de Pneus (ABR), Hersílio Coelho de Moura, Presidente; Lupércio L. Friolani, diretor Executivo, Carlos Thomaz, assessor Técnico, Guilherme Duque Estrada, assessor Institucional
e inúmeros empresários do setor de reformas de pneus.
A Audiência Pública contou ainda com as presenças de Alfredo Peres da Silva, diretor do Departamento Nacional de Trânsito, e os deputados Íris Simões (PTB/PR), José
Rocha (PFL/BA), José Carlos Araújo (PL/BA), Selma Schons (PT/PR), Antônio Cruz (PP/MS), Júlio Delgado (PSB), Dr. Heleno (PSC/RJ), Luiz Antônio Fleury Filho (PTB/SP), Reinaldo Betão (PL/RJ) e Max Rosenmann (PMDB/PR).
Segundo Hersílio Coelho Moura, “nesta audiência pública ocorreu um avanço positivo para o setor de reforma”.
O presidente da ABR foi objetivo, fazendo uma apresentação transparente e criteriosa dos dados do setor de reforma de pneus de moto e expôs qual a expectativa dos empresários que atuam nessa área.
Para o presidente da ABR, “a presença maciça dos empresários do setor de reforma de pneus de motos,
em Brasília, foi fundamental para o sucesso alcançado
por todos nós. Essa união é imprescindível para o nosso segmento”.
O diretor-Executivo da ABR, Lupércio L. Friolani lembrou que a ABR distribuiu para todos os deputados presentes
na audiência, cartilhas com informações que demonstram o potencial do segmento de reforma de pneus brasileiro. Ciente de todos esses fatos, os deputados foram unânimes, defendendo veemente o setor de reforma de pneus e questionando o Contran quanto aos critérios que foram utilizados para proibir, a reforma de pneus de ciclomotores, motonetas, motocicletas e triciclos.
O deputado Luiz Antônio Fleury Filho, por exemplo,
durante sua explanação, deixou várias perguntas no ar, entre as quais: como essa resolução foi criada? Quem fez? Onde? Quem pediu para fazer?
Sua abordagem fez com que todos presentes refletissem sobre a proibição inicial que foi feita devido a um teste realizado sem critérios técnicos.
Segundo a deputada Selma Schons, “essa audiência pública foi essencial para o setor de reforma de pneus. Isso porque persistiu a situação de insegurança para o setor dos reformadores e para os usuários desse tipo de pneu. Como se sabe, a liminar tem efeito provisório, o
que cria uma situação de instabilidade para o segmento, para os empresários do setor e para os consumidores, que ficam, cada vez mais em dúvida sobre a qualidade de um produto que, vem sendo utilizado sem problemas e que, repentinamente e sem um teste definitivo e convincente, passa a ser reprovado pelo órgão regulador federal”.
A ABR reagiu e vem se empenhando nessa questão para uma resposta definitiva e justa. Prova disso, é sua
atuação nessa Audiência Pública. A ABR propôs que o pneu de moto seja certificado no Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), visto que já existe a Regulamentação Técnica, para o pneu de passeio aprovada e para o pneu de carga, em fase de aprovação, e não tem razão para não incluir o pneu de moto no mesmo processo. Esses resultados positivos mostram que a justiça finalmente começou a ser feita.
|
| Forte potencial |
O setor de reforma de pneus é um grande consumidor de matérias-primas, sobretudo, as bandas pré-curadas. Dado ao uso de pneus caminhões/ ônibus muito grande no Brasil, devido ao transporte rodoviário, é inerente o fato de que se consome muitas bandas pré-curadas. Isso fez com que o Brasil se torne um forte pólo industrial. Hoje, existem aproximadamente 20 fábricas, das quais 11 delas com estruturas fortes para grande produção, para atender uma demanda de oito milhões e meio de pneus reformados da linha de caminhão/ônibus. Atualmente, 2/3 dos pneus de carga em uso são reformados. O palestrante mostrou em um gráfico que hoje, no Brasil, se consome cerca de 100 mil toneladas/ano de bandas pré-curadas e camelback. Todo o setor do transporte utiliza pneus reformados. O pneu reformado possui rendimento quilométrico semelhante ao novo, com custo 75% menor. “A economia é grande para o País”, diz Carlos Thomaz durante sua palestra.
Uma quantidade muito grande de petróleo se economiza com a reforma de pneus. Aproximadamente 57 litros de petróleo por pneu reformado na linha caminhão/ônibus e 18 litros para a linha automóvel. Por exemplo, no pneu de passeio utiliza-se na sua produção 27 litros de petróleo, contra apenas nove litros em um pneu reformado. No Brasil, em valor, isso representa mais de 500 milhões de litros de petróleo/ano de economia.
Além disso, posterga a destinação final da carcaça, reduzindo os impactos ambientais. Não é uma atividade poluidora e seus resíduos sólidos são reciclados por outras atividades, como asfalto ecológico e combustível.
O assessor Técnico da ABR lembrou também alguns números apurados no censo de 2004, realizado pela Associação. “No Brasil, são 1.578 empresas entre as quais 1.257 atuam no segmento de caminhões e ônibus, 100 no setor fora-de-estrada/agrícola; 120 no de automóvel, 100 no de motocicleta e uma no setor de avião. Em relação às empresas de matérias-primas, há 20 e de equipamentos dez, que também estão ligadas diretamente ao setor”, diz enfatizando que “o setor de reforma brasileiro é um mercado que gera um faturamento de R$ 4 bilhões/ano”.
Carlos Thomaz explicou que há um crescimento constante da frota nacional de caminhões, segundo pesquisa realizada pelo Ministério das Cidades. Hoje, a frota é constituída por cerca de 1,75 milhão de veículos. “Há um crescimento constante nessa frota e para atendê-la, serão necessários reformar muitos pneus”, enfatiza.
Outro gráfico exibido por Carlos Thomaz mostrou que o segmento de recauchutagem no Brasil, em 2004, chegou à marca de nove milhões de pneus reformados. Em 2005, ocorreu uma queda substancial para sete milhões e meio. Foram inúmeros fatores que levaram à essa queda. Entre eles, a redução dos negócios no setor de transportes, com a quebra de safra de grãos e transporte por outros modais, como exemplo o trem que já está sendo muito utilizado em alguns setores do País. Outros motivos para a queda foram a baixa qualidade das estradas, que influi na redução da qualidade das carcaças e o fato de o setor de transporte estar usando o pneu além do seu limite.
A malha rodoviária, principalmente a estadual e a federal, ainda deixa muito a desejar. A malha estadual, em 2004, tinha uma extensão de 208 mil quilômetros dos quais 110 mil não são pavimentados. Já a federal tem uma extensão de 73 mil quilômetros dos quais 15 mil não possuem asfalto. “Temos que levar em conta também que esses trechos pavimentados nem sempre estão em boas condições”, diz.
Carlos Thomaz encerrou sua palestra abordando o assunto segurança dos pneus reformados. Ele lembrou que o então presidente dos EUA, Bill Clinton, assinou em outubro de 1993, decreto determinando o uso de pneus reformados em todos os veículos do governo. Nos Estados Unidos, todas as companhias aéreas, assim como a aviação militar, usam pneus reformados. “Pneus reformados são usados diariamente e com segurança por ônibus escolares, caminhões do corpo de bombeiros, ambulâncias, táxis, serviço postal e por milhões de motoristas”, finaliza o assessor Técnico da ABR cuja palestra foi solicitada pela Universidade Federal de São Carlos.
Foto: Sefot /Secon - Elton Bonfim |
| |
| <•> Voltar para índice PNEWS 54 |
| <•> Voltar para Revistas anteriores |
| |
| |
|
 |
 |
 |

|
|
|
|
|