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ARQUIVO 29
EDIÇÃO 51 - DEZ 2005 - Francisco Reis
O prazo está acabando
A partir de julho de 2006, todos os pneus de passeio reformados deverão ter certificação do Inmetro, assim como já acontece com os pneus novos.

Em 1995, o Conselho Nacional de Metrologia (Conmetro), baixou a Resolução 7, determinando que todos os pneus comercializados no Brasil, sejam certificados pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro)

A medida está sendo cumprida e, a partir de julho de 2006, todos os pneus reformados também deverão receber a certificação. Isso é o que determina a Portaria 107, de 31 de maio de 2004, baixada pelo Inmetro. A princípio, a certificação atinge apenas os pneus reformados para carros de passeio.

Para obter a certificação, é necessário que a empresa interessada atenda à Portaria 13, de 13 de janeiro de 2004, do Inmetro. Uma vez cumprida as exigências, o reformador deve procurar um dos organismos de avaliação da conformidade, como o IQA, a ABNT e o Instituto Falcão Bauer da Qualidade entre outros. Estes organismos farão uma avaliação dentro da empresa e, se tudo estiver em conformidade com as portarias, concederá a certificação.

“A empresa que tem a certificação, além de cumprir a lei e ficar livre de punições, agrega valor ao seu produto, pois, atendendo à regulamentação ganha maior credibilidade”, afirma Antonio Guilherme Ramos, engenheiro da Divisão de Programas de Avaliação da Conformidade (Dipac) do Inmetro.

 

Certificação passo-a-passo

A primeira fase do credenciamento é a avaliação do sistema de gestão da qualidade da unidade reformadora. Ou seja, como a empresa é organizada internamente no sentido de garantir que o produto que será produzido posteriormente terá o mesmo padrão de qualidade do produto que está sendo feito agora.

“Porque quando você tem um sistema da qualidade, significa que está mantendo o controle sobre o produto de forma que ele não tenha uma variação muito grande”, explica Paulo Roberto Rossetto, gerente Executivo do Instituto Falcão Bauer da Qualidade.

O que tem facilitado a certificação das empresas é o suporte técnico que os fornecedores de matérias-prima oferecem. Os fabricantes estão dando um suporte técnico para que as empresas se organizem nesse sistema de gestão de qualidade.

No sistema de gestão de qualidade é verificado o material empregado na reforma do pneu, que tipo de banda de rodagem, qual a borracha de ligação utilizada, borracha anti-quebra, reparo, manchão entre outras coisas.

Dentro da gestão da qualidade de produção, está a inspeção da carcaça que será utilizada como base do processo de reforma. O processo de limpeza da carcaça também é verificado. A empresa tem que saber como fará a limpeza para evitar que carcaças contaminadas entrem na linha de produção. A raspagem tem que ter uma textura estabelecida, bem como o processo de aplicação da cola e o período de pré-secagem para fazer a colocação da banda. O processo de vulcanização do pneu é verificado, com relação ao tempo, temperatura e pressão, que são as três características que resultará um produto satisfatório.

Os equipamentos de medição também são verificados. “As empresa têm um gabarito de raspagem, aparelhos que medem a temperatura no momento da vulcanização. Será que a temperatura é aquela que ele está marcando”, pergunta Rossetto. “Por isso fazemos a calibração de acordo com o Sistema Brasileiro de Calibração”.

O serviço de atendimento às reclamações dos clientes também é inspecionado. Os clientes são contatados e caso não tenham sido bem atendidos, pode trazer sérios problemas para a empresa, inclusive com o não credenciamento.

E a última fase da certificação é verificar o pessoal que trabalha, como trabalha, se tem registro em carteira, cursos que a pessoa faz que são levados em consideração para certificação.

Depois é feita a amostragem de pneus que são mandados para ensaios que são os mesmos aos que são submetidos os pneus novos. Se todos os pontos forem cumpridos, a empresa recebe a certificação, que a cada ano passa por outra inspeção na área de gestão e a cada 24 meses o ensaio do pneu reformado.

Rossetto afirma que a empresa que recebe o certificado tem o benefício perante o Código de Defesa do Consumidor que fala que toda empresa deve fornecer ao mercado um produto que atenda as normas e legislações em vigor do país. Se houver uma ação contra a empresa, ela tem uma prova de que fez os testes do produto e pode ter ocorrido uma falha, mas ela tem produto de qualidade.

“E quando uma empresa se prepara e se organiza, ela reduz perdas internas e acaba tendo o retorno do que investiu” explica Paulo Rossetto.

 

Empresa certificada

Pensando não apenas em cumprir a lei, mas, principalmente em elevar a qualidade do seu produto com uma melhor qualificação da matéria-prima e dos funcionários, melhor organização e maior facilidade para detectar falhas no produto, a Barrela Recauchutagem de Pneus Ltda. foi à primeira reformadora de São Paulo a obter a certificação.

Para isso contratou a assessoria da DPS para auxiliar nos trabalhos de implantação dos requisitos das portarias do Inmetro. Depois dessa implantação, houve uma auditoria interna onde se levantaram algumas falhas que foram sanadas.

Preparados para a certificação, a Barrela chamou o Instituto Falcão Bauer da Qualidade que a realizou acompanhando a reforma de três pneus, posteriormente enviados aos laboratórios da Maggion, credenciado pelo Inmetro para a realização dos ensaios dimensionais e de velocidade sobre carga. Com tudo dentro da conformidade, a Barrela recebeu a certificação.

Por ser a primeira empresa a certificar-se em São Paulo, um dos problemas encontrados foi a falta de informação e conhecimento dos detalhes das portarias do Inmetro que não estavam bem especificadas. Para superar esses obstáculos, foi de grande ajuda à participação da Vipal, dando apoio, e a assessoria da DPS. O processo da Barrela demorou cerca de um ano.

Por isso reformador, se você ainda não deu início ao processo de certificação do Inmetro, apresse-se. No dia 1º de julho de 2006, quem não estiver certificado não poderá comercializar seus produtos.

 

 
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