A primeira fase do credenciamento é a avaliação do sistema de gestão da qualidade da unidade reformadora. Ou seja, como a empresa é organizada internamente no sentido de garantir que o produto que será produzido posteriormente terá o mesmo padrão de qualidade do produto que está sendo feito agora.
“Porque quando você tem um sistema da qualidade, significa que está mantendo o controle sobre o produto de forma que ele não tenha uma variação muito grande”, explica Paulo Roberto Rossetto, gerente Executivo do Instituto Falcão Bauer da Qualidade.
O que tem facilitado a certificação das empresas é o suporte técnico que os fornecedores de matérias-prima oferecem. Os fabricantes estão dando um suporte técnico para que as empresas se organizem nesse sistema de gestão de qualidade.
No sistema de gestão de qualidade é verificado o material empregado na reforma do pneu, que tipo de banda de rodagem, qual a borracha de ligação utilizada, borracha anti-quebra, reparo, manchão entre outras coisas.
Dentro da gestão da qualidade de produção, está a inspeção da carcaça que será utilizada como base do processo de reforma. O processo de limpeza da carcaça também é verificado. A empresa tem que saber como fará a limpeza para evitar que carcaças contaminadas entrem na linha de produção. A raspagem tem que ter uma textura estabelecida, bem como o processo de aplicação da cola e o período de pré-secagem para fazer a colocação da banda. O processo de vulcanização do pneu é verificado, com relação ao tempo, temperatura e pressão, que são as três características que resultará um produto satisfatório.
Os equipamentos de medição também são verificados. “As empresa têm um gabarito de raspagem, aparelhos que medem a temperatura no momento da vulcanização. Será que a temperatura é aquela que ele está marcando”, pergunta Rossetto. “Por isso fazemos a calibração de acordo com o Sistema Brasileiro de Calibração”.
O serviço de atendimento às reclamações dos clientes também é inspecionado. Os clientes são contatados e caso não tenham sido bem atendidos, pode trazer sérios problemas para a empresa, inclusive com o não credenciamento.
E a última fase da certificação é verificar o pessoal que trabalha, como trabalha, se tem registro em carteira, cursos que a pessoa faz que são levados em consideração para certificação.
Depois é feita a amostragem de pneus que são mandados para ensaios que são os mesmos aos que são submetidos os pneus novos. Se todos os pontos forem cumpridos, a empresa recebe a certificação, que a cada ano passa por outra inspeção na área de gestão e a cada 24 meses o ensaio do pneu reformado.
Rossetto afirma que a empresa que recebe o certificado tem o benefício perante o Código de Defesa do Consumidor que fala que toda empresa deve fornecer ao mercado um produto que atenda as normas e legislações em vigor do país. Se houver uma ação contra a empresa, ela tem uma prova de que fez os testes do produto e pode ter ocorrido uma falha, mas ela tem produto de qualidade.
“E quando uma empresa se prepara e se organiza, ela reduz perdas internas e acaba tendo o retorno do que investiu” explica Paulo Rossetto.
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