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ARQUIVO 29
EDIÇÃO 49 - AGO 2005 - Francisco Reis
De volta para o futuro
Há 20 anos, em Louisville, EUA, surgia a idéia da ABR. Agora, em uma viagem à mesma cidade, surge a internacionalização da Associação.
Nada melhor para comemorar 20 anos de uma idéia bem sucedida do que voltar ao local onde ela surgiu. Assim, um grupo de associados da Associação Brasileira do Segmento de Reforma de Pneus (ABR) voltou à Louisville, EUA, para participar da feira local.

Tão importante quanto à comemoração foram os contatos realizados. “Um dos propósitos da ABR é internacionalizar seus vínculos, ou seja, participar das associações internacionais e ter uma ligação estreita com as associações dos países desenvolvidos para, por meio da troca de informações, manter seus associados sempre em dia com o que há de mais avançado no setor”, explica Germano Badi, diretor Executivo da ABR.

Mais do que fazer contato, a ABR tornou-se sócia da Tire Industry Association (TIA) e do Tire Retread Information Bureau (TRIB), o escritório especializado em defender os interesses do segmento de reforma de pneus nos EUA.

A TIA e o TRIB receberam a ABR e sua delegação com um bolo de aniversário com o logotipo da ABR e decoração verde amarela, no estande na feira. A ABR por sua vez patrocinou o estande de engraxate da feira sendo atendidos mais de 800 visitantes.

Além da feira, o grupo teve oportunidade de visitar as instalações de uma recapagem Bandag americana e descobrir que nossa tecnologia não fica devendo nada a deles, o que muda são as condições de uso dos pneus, levando inclusive a uma configuração diferente das oficinas deles em relação às nossas.

“Nossos pneus têm muitas escareações para serem realizadas e nos EUA os pneus chegam com o mínimo de necessidade de escareação”, compara. “Nós aqui teríamos seis ou sete estações para esta finalidade enquanto nos EUA tem uma só, o que permite investimento em outras coisas, como em equipamentos mais sofisticados de detecção. Existe uma grande diferença que é o custo de mão-de-obra. Em alguns casos não usamos um equipamento altamente sofisticado tecnologicamente porque não se justifica investir em um equipamento em detrimento à mão-de-obra. Nós preferimos ter mais mão-de-obra com equipamento tão bom quanto, mas menos computadorizado como é o americano”.

Segundo o diretor Executivo da ABR, nossos produtos são tão bons quanto os americanos. “Na realidade, nossos operadores na reforma têm mais preparo do que os americanos”, afirma Badi. “Inclusive já tivemos visitas de americanos perguntando como reformávamos porque eles faziam menos reformas que a gente”.

Um dos fatores que leva a esta diferença é que no Brasil as empresas procuram utilizar ao máximo, dentro dos limites de segurança, os pneus antes da reforma. Nos países desenvolvidos eles mandam os pneus para reforma mais cedo, conseqüentemente em melhores condições.

O grupo também aproveitou a viagem para visitar alguns truck centers e constatar que não apresentam nada de muito diferente dos nacionais. “Com exceção de um ou outro muito equipado, nossos truck centers são melhores do que os americanos”, compara Germano Badi.

 

Bons contatos
Durante a feira foi possível fazer muitos contatos com expositores do mundo inteiro. “Fechamos alguns negócios, fizemos contatos inclusive com brasileiros que expuseram seus produtos e não puderam participar do grupo”, conta Fernanda Metzler, diretora de Comunicação da ABR. “O mais importante foi a união do grupo, que ficou sempre junto, aumentamos o contato entre nós, nos divertimos muito e todo mundo gostou, dizendo que com certeza fariam a viagem de novo”.

Um dos contatos mais importantes foi com a TIA, com quem a ABR estreitou relacionamento e convidou um de seus responsáveis para participar da Reman-Recon. Como associadas, a ABR passará a receber informações e teremos acesso a tudo que há de melhor no setor, independente de poder ou não vir à feira em Louisville. “Esse intercâmbio só foi possível pela nossa viagem, durante a qual convidamos a TIA a nos visitar”, diz Germano Badi.

A ABR conseguiu autorização para publicar todo o material que a TIA possui, o que garante informações sobre o mercado americano. Além disso, caso a TIA não possua informações sobre um determinado assunto que a ABR necessite, ela providenciará.

“Fizemos muitos contatos na feira”, diz a diretora de Comunicação da ABR. “Às vezes a gente faz contatos anteriores à feira, como um ‘namoro' e espera a feira para fechar o negócio. E às vezes, os contatos que se iniciam na feira acabam em negócios fechados futuramente”.

Um dos equipamentos que chamou a atenção do grupo foi visto na Bandag. Trata-se de uma máquina de shearografia que tira raio-X do pneu, e que mostra se há alguma falha interna em sua estrutura.

Hoje já existe um sistema que permite um fabricante ajustar suas máquinas que estão em um determinado cliente sem sair do lugar, apenas pela internet. O operador entra na internet e pelo sistema faz os ajustes, não importando onde a máquina esteja. Até mesmo na Austrália.

 

Os primeiros resultados

Tão importante quanto o livre acesso às informações da TIA, foi a visita de Anne Evans, diretora Voluntária da TIA e presidente do Conselho Global da entidade, cujo trabalho é lidar com outros grupos e que tem 6 mil sócios no mundo, dentre eles, a ABR.

“Estou aqui para dar suporte à ABR no sentido de importar carcaças dos EUA”, esclarece Anne Evans. “Quero mostrar a um maior número de pessoas o trabalho que a ABR tem feito e trazer para os brasileiros, informações, treinamento e todo o suporte da TIA, que é a maior associação nesta área e quer parceiros como Brasil e África para ampliar nossa voz representativa”.

Segundo Anne Evans, hoje é preferível reciclar os pneus, reutilizá-los quantas vezes for possível. “Se o Brasil quer utilizar carcaças de pneus importados, estará colaborando com uma destinação correta desses pneus nos EUA, assim como os EUA compram carcaças principalmente do Japão e reutilizam-nas”, compara Evans. “E quem ganha não é um país ou outro, é o sistema global. Você deve incentivar a reforma de pneus em todas as regiões e pode reciclar pneus de qualquer tipo. Uma reforma economiza energia”.

Nos EUA, pequenas empresas compram pneus para reciclagem. No Brasil é mais difícil e na Europa essa atividade é muito importante. Nos EUA, a Goodyear é o maior recapador de pneus, inclusive de aviões. “Os Estados Unidos importam pneus de uma determinada medida e exportam de outra medida”, explica Anne Evans.

Um dos propósitos da TIA é o desenvolvimento profissional dos reformadores de pneus em todo o mundo. Para isso, possui um volume de cursos muito bem preparados. “Para a ABR, um dos frutos desse relacionamento é adotar treinamentos, que ao invés de serem recriados, serão adaptados dos existentes nos EUA”, explica Germano Badi. “Isto porque um dos objetivos da ABR, como o da TIA, é o crescimento profissional de seus sócios, e um dos meios seria trazer esses cursos para o Brasil. A ABR está trabalhando no sentido de normatizar a operação de reforma. Nos pneus de passeio já existe uma norma do Inmetro, para carga está em fase final e no caso de motocicletas foi solicitada a normalização em setembro 2004”.

Na necessidade de uma certificação de maior profissionalismo no setor vem à regulamentação e a ABR quer aproveitar a experiência da associação americana para isso. Isto porque nos mercados globais, os problemas não são apenas nacionais, eles começam a ter conotações muito mais amplas que as fronteiras do país e as associações são o fórum que pode debater e levar soluções ao governo por parte dos profissionais.

“É muito mais efetivo do que deixar para os governos por si só resolverem os problemas”, explica Badi. “Essa integração, esse contato, sempre é útil nas gestões de conflitos ou nas propostas conjuntas”.

 

 
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